Fonte:Folha de São Paulo, por RICARDO MIOTO
Comentário: O texto abaixo é uma uma versão editada da notícia original publicada na Folha de São Paulo com comentários sobre algumas informações incorretas da notícia original. Oceanógrafos, por favor mandem seus comentários sobre a notícia abaixo!
O Brasil tem quase 8 mil quilômetros de costa e o pré-sal pode ser uma grande promessa econômica, mas a ciência do mar, no país, ainda engatinha na praia.
Não há recursos humanos: em 2008, 673 profissionais foram formados na área --a maioria engenheiros de pesca e oceanógrafos.
Em comparação, ao ano o país forma cerca de mil físicos, mais de 7 mil nutricionistas e mais de 100 mil bacharéis em direito.
"O maior problema, de longe, é a falta de gente. Dinheiro não falta", diz Carlos Schettini, da Universidade Federal do Ceará.
Apesar da variedade de temas da área, que abrange desde as correntes marinhas, passa pela composição química dos oceanos e chega aos organismos que vivem neles, não existem também grandes congressos científicos nacionais sobre ela.
Comentário: Existem sim grandes congressos em Oceanografia no Brasil. Este ano o Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO) teve sua quarta edição na cidade de Rio Grande, e os números do evento demonstram a popularidade da oceanografia no Brasil: mais de 2000 inscrições, apresentação de 1218 trabalhos, mais de 30 minicursos e cursos técnicos, 32 mesas-redondas e workshops e 195 palestrantes. Além da CBO, a tradicional Semana Nacional da Oceanografia continua a atrair estudantes de todo o Brasil.
SÉRIES
Não há, aliás, sequer uma sociedade de porte que una os cientistas. Além disso, não existe um instituto responsável por coletar dados no mar que sirvam de referência.
Comentário: A informação de que não existe uma "sociedade de porte que una os cientistas" em oceanografia está incorreta. A AOCEANO (Associação Brasileira de Oceanografia) teve início com a graduação da primeira turma do curso de Oceanologia da Fundação Universidade Federal do Rio Grande, em 1974. Desde sua criação, a AOCEANO sempre trabalhou para unir os cientistas do mar no Brasil, e sempre lutou pelos direitos dos Oceanógrafos. A AOCEANO teve um papel essencial no processo de regulamentação da profissão de oceanógrafo no Brasil.
"Nossas séries temporais são muito pequenas, é muito difícil achar uma série com dados de um período maior do que 10 anos", diz Ruy Kikuchi, oceanógrafo da Universidade Federal da Bahia.
"Precisamos de uma Noaa. Ou um Serviço Geológico do Brasil para o mar, um Serviço Oceanográfico Brasileiro."
A Noaa é a agência americana que monitora oceanos e atmosfera. Entre mudanças de nome, tem 203 anos --e, então, séries históricas de balançar coração de cientista.
Para os cientistas, a pequenez das ciências do mar pode ter causas históricas no país, que teria tradição mais continental do que marítima.
Eles elogiam o papel da Marinha no levantamento de dados oceânicos, mas dizem que seria bom evitar que esses dados fossem militares --a Noaa, por exemplo, é civil.
"O Brasil comporta um instituto de pesquisa da Marinha, próximo de questões de interesse da Marinha, mas isso não significa não possamos ter uma agência civil", diz Paulo Nobre, do INPE.
Leia a notícia original na Folha de São Paulo Online.