31 Maio 2012

8 de Junho - Dia dos Oceanos


No Dia 8 de Junho, pessoas ao redor do planeta celebram e honram os oceanos, pelo que eles nos fornecem e pelo que eles representam para os seres humanos. Faça parte desta celebração mundial!

O Dia Mundial dos Oceanos é organizado pelo The Ocean Project e a The World Ocean Network deste 2002.

Confira a página do evento AQUI: http://worldoceansday.org

27 Maio 2012

Nações Unidas lança livro on-line sobre os mares

FONTE: JC e-mail 4503, de 23 de Maio de 2012

Nações Unidas lança livro on-line sobre os mares e Rio+20 promoverá, no dia 17 de junho, ciclo de debates sobre biodiversidade.

Para marcar o Dia Internacional da Biodiversidade, nesta terça-feira (22), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas lançou on-line o livro "Um oceano: muitas palavras, muita vida". A publicação destaca que os mares cobrem 71% da superfície. Cerca de 40% da população mundial vivem a cem quilômetros da costa. A estimativa é que 250 mil espécies marinhas sejam conhecidas pelo homem, mas ainda é necessário muito esforço em pesquisas para cobrir melhor a imensa biodiversidade submersa.

O livro traz dados e estimativas indicando que toxinas produzidas por certas espécies marinhas podem auxiliar na produção de remédios, que devem movimentar mais de US$ 5 trilhões. Já os ecossistemas costeiros prestam serviços ambientais, como o turismo e a proteção de linha de costa contra tempestades, avaliados em cerca de US$ 26 bilhões.

O prefácio, assinado pelo brasileiro Braulio Ferreira de Souza Dias, secretário-executivo da CBD, ressalta 15% da proteína animal consumidas são obtidas dos peixes. E afirma que a proteção dos ecossistemas marinhos é crucial para o bem-estar humano.

O livro está disponível no link: http://www.cbd.int/idb/doc/2012/booklet/idb-2012-booklet-en.pdf

Os oceanos também conquistaram grande espaço na Rio+20. No dia 17 de junho, está previsto ciclo de debates sobre biodiversidade na Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, que abordará a necessidade de criar mecanismos de proteção para os mares.

"São águas que abrigam os maiores animais que já viveram na terra e também bilhões e bilhões de animais minúsculos", diz o coordenador da Gerência de Biodiversidade Aquática e Recursos Pesqueiros da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Gallucci, em nota divulgada pelo Ministério. [O Globo]

22 Maio 2012

31st International Conference on Ocean, Offshore and Arctic Engineering (OMAE 2012)


The 31st International Conference on Ocean, Offshore and Arctic Engineering (OMAE 2012) will be held in Rio de Janeiro, Brazil. Join your colleagues from industry, academia and government from July 1-6, 2012.

OMAE 2012 is the ideal forum for researchers, engineers, managers, technicians and students from the scientific and industrial communities from around the world to meet and present advances in technology and its scientific support; to exchange ideas and experiences whilst promoting technological progress and its application in industry; and to promote international cooperation in ocean, offshore and arctic engineering. Following on the tradition of excellence of previous OMAE conferences, more than 800 technical papers are planned for presentation.

Technical Program
Our program will follow the tradition of excellence standard in all previous OMAE conferences. Your host COPPE/UFRJ is pleased to announce two special events that will take place during OMAE 2012. The following 11 standard symposia plus 2 special symposia are planned:

SYMP 1 Offshore Technology
SYMP 2 Structures, Safety and Reliability
SYMP 3 Materials Technology
SYMP 4 Pipeline and Riser Technology
SYMP 5 Ocean Space Utilization
SYMP 6 Ocean Engineering
SYMP 7 Polar and Arctic Sciences and Technology
SYMP 8 CFD and VIV
SYMP 9 Ocean Renewable Energy
SYMP 10 Offshore Geotechnics
SYMP 11 Petroleum Technology Symposium
SYMP 12 Ronald W. Yeung Honoring Symposium on Offshore and Ship Hydrodynamics
SYMP 13 Workshop on Pre-Salt Technology: Challenges and Opportunities

More information in the Conference website:
http://www.asmeconferences.org/omae2012/

19 Maio 2012

A saga do Alpha Crucis

Fonte: Revista FAPESP por Fabricio Marques

Batizado de Alpha Crucis, nome da estrela que representa São Paulo na bandeira do Brasil, o navio iniciou então sua viagem inaugural até o porto de Santos com chegada prevista para meados de maio. A primeira singradura ganhou nome, InterOceanos, e um pôster comemorativo. O navio é esperado com ansiedade por professores e alunos do Instituto Oceanográfico da USP e de outras instituições paulistas porque propiciará um aumento de qualidade nas suas pesquisas. Com 64 metros de comprimento por 11 metros de largura, pode permanecer em alto-mar, sem reabastecer, por até 40 dias. A autonomia permitirá viagens transoceânicas, o que é um salto em relação a seu antecessor, o navio Professor W. Besnard, cuja autonomia era de 15 dias e, por isso, não podia distanciar-se muito da costa. “A aquisição vai tornar a oceanografia brasileira mais competitiva e permitir que trabalhemos em parceria com países que já realizam pesquisas em alto-mar no Atlântico Sul”, diz Frederico Brandini, professor do Instituto Oceanográfico. “O Atlântico Sul é um dos oceanos menos conhecidos do mundo”, afirma. O Alpha Crucis pode levar 40 pessoas a bordo, sendo 25 pesquisadores e 15 tripulantes, 10 a mais do que o antecessor. “Isso permitirá que o navio leve equipes maiores, com especialistas de várias disciplinas. Os estudos sobre o oceano são cada vez mais multidisciplinares”, diz Ilson Silveira, professor do Instituto Oceanográfico – e um dos pesquisadores da instituição que mais utilizaram o Professor W. Besnard.

Dotado de dois motores e um sistema que permite mantê-lo parado em alto-mar, o Alpha Crucis também propiciará estudos mais acurados sobre correntes marinhas que o Professor W. Besnard, que tem apenas um motor e sofria deslocamentos quando parava para executar uma estação oceanográfica. “Tendo um navio com concepção moderna e equipamentos de última geração, o aumento da qualidade das informações coletadas e das pesquisas será notável”, diz Luiz Nonnato, engenheiro do laboratório de instrumentação do Instituto Oceanográfico e responsável pelo desenho dos novos equipamentos da embarcação. Entre eles, destaca-se, por exemplo, uma ecossonda multifeixe, que permite obter imagens do fundo do oceano para levantamento de relevo. “Nunca tivemos um equipamento desse tipo e era um desejo antigo”, diz Nonnato. Dois sistemas acústicos, próprios para levantamento de correntes marinhas, também estão instalados, assim como uma estação meteorológica bem equipada. Uma sala de computadores integra os dados de todos os equipamentos, permitindo que os pesquisadores utilizem os dados em tempo real.

Origem das Imagens: © LUIZ NONNATO e CHICO VICENTINI


Pronto para partir em Seattle: financiamento da FAPESP e da USP



A sala de controle do Alpha Crucis antes da reforma...


... e depois de ser reequipada


Computadores vão integrar os dados coletados pelos equipamentos científicos

Leia a Reportagem Completa AQUI:
http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/05/Pesquisa_195-13.pdf

13 Maio 2012

Brasil estuda criar instituto nacional de oceanografia

FONTE: Folha de São Paulo

O governo está estudando criar um instituto ou centro nacional de oceanografia para coletar informações sobre a costa brasileira. A informação é do climatologista Carlos Nobre, do MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação).

"Estamos pensando no melhor formato, se será um centro ou instituto nacional temático nos moldes dos INCTs [Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia]. Ainda não sabemos como será, mas essa é uma das prioridades do governo", disse Nobre nesta terça-feira durante a reunião magna da ABC (Academia Brasileira de Ciências), no Rio de Janeiro.

A novidade veio como resposta ao físico e oceanógrafo da USP Edmo Campos, que falou sobre a necessidade de pesquisas nacionais oceanográficas no Brasil.

"Os engenheiros que estão projetando o pré-sal acham que o oceano é uma piscina sem movimento, que basta colocar uns tubos e extrairemos petróleo de camadas profundas. Mas não é assim", disse Campos.

De acordo com o especialista, que é um dos 25 cientistas brasileiros membros do IPCC, o painel da ONU sobre o clima, faltam informações sobre o movimento do oceano na costa brasileira e sobre os impactos das mudanças climáticas nessa dinâmica. "Ter um grande instituto é a única forma de fazer pesquisa oceanográfica em escala nacional."

"Sabemos que o Atlântico Sul está sofrendo alterações que podem se propagar aos demais oceanos. Mas não temos trabalhos de observação suficientes para compreender esse fenômeno", disse Campos.

Já para a presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a biomédica Helena Nader, a Marinha deve investir em pesquisas nacionais sobre o mar.

A SBPC e a ABC apoiam a proposta relatada pelo deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ) no Projeto de Lei 8.051/2010, que divide os royalties dos contratos de concessão do pré-sal entre o MCTI e a Marinha.

NAVIO

Edmo Campos, da USP, falou ainda sobre o Alpha Crucis, navio oceanográfico que deve chegar ao porto de Santos, em São Paulo, no próximo dia 10. O navio foi comprado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) por US$ 11 milhões e tem capacidade para 20 pessoas.

Esse será o único navio nacional para pesquisas oceanográficas disponível no país. O anterior, batizado de professor Wladimir Besnard, sofreu um incêndio e foi inutilizado em 2008. "Estamos todos ansiosos pela chegada do Alpha Crucis e pelo início das pesquisas", disse.

03 Maio 2012

Primeiro Fórum Regional do Mar


OBJETIVO GERAL
Integrar o público científico e acadêmico, as organizações civis, governamentais e privadas, das áreas de Saúde, Meio Ambiente e Turismo, na Gestão dos Ambientes Costeiros, salientando a inter-relação dos temas no desenvolvimento socioeconômico e na qualidade de vida.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Promover uma visão inter-setorial e multidisciplinar dos ambientes costeiros visando o desenvolvimento sustentável associado ao desenvolvimento socioeconômico.
Compreender a biodiversidade e os bens naturais como elementos vitais na perspectiva do desenvolvimento turístico e na qualidade de vida.
Estimular a recolha, gestão e partilha de informações referentes aos ambientes costeiros, promovendo intercâmbios sistemáticos entre as áreas de Saúde, Meio Ambiente e Turismo.

JUSTIFICATIVA
A falta de integração entre os setores ambiental, turístico e de saúde está na origem de grande parte dos problemas que afligem a zona costeira e somente um gestão compartilhada destes entes é que poderá levar ao desenvolvimento regional e à qualidade de vida.

PÚBLICO ALVO
O Fórum Regional do Mar será dirigido aos especialistas e acadêmicos das áreas de Turismo, Saúde/Sanitária e Meio Ambiente, aos conselhos respectivos, aos sindicatos e institutos de pesca, aos Gestores Públicos, aos empresários dos ramos de Turismo e Hotelaria, aos praticantes de esportes aquáticos – Surf e outros, as entidades não governamentais ligadas as temáticas abordadas e as comunidades habitantes e veranistas dos ambientes costeiros do Brasil , Uruguai e Argentina, em particular dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

LOCAL
Centro de Convenções da Nova Ulbra Torres.
Especialmente projetado para receber convenções, congressos, palestras, formaturas e apresentações artísticas, o Centro de Convenções da ULBRA Torres possui auditório com capacidade para 906 pessoas, acomodadas em confortáveis poltronas, além de 02 camarotes.

Valores de inscrição
Estudantes Graduados, Profissionais e público em geral
Inscrições antecipadas de 20/01 a 05/05 : R$ 40,00
de 06/05 a 29/05 : R$ 60,00
Faça sua Inscrição neste endereço:
http://portal.ulbratorres.com.br/forumdomar/

CONTATO
Fone +55 -51 -36641411 Ramal 246
email forumdomar@torres.rs.gov.br
Av. Bejamin Constant 154 2° piso - Centro Torres/RS
Cep 95560-000

30 Abril 2012

CONFERÊNCIA USP SOBRE O MAR


[FONTE Agência FAPESP]
Com o objetivo de promover uma reflexão sobre os temas “Oceano e Clima”, “Biodiversidade” e “Exploração em Águas Profundas”, incorporar novas áreas de conhecimento e ampliar a interatividade interinstitucional, o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) realiza entre 16 e 18 de maio a Conferência USP sobre o Mar.

O evento será realizado no Anfiteatro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), na Cidade Universitária, entre 9h30 e 17h.

Contará com a participação de palestrantes internacionais, como Antonio Busalacchi e Thomas Malone, ambos da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, Sergio Navarrete, da Pontifícia Universidade Católica de Chile, e Juan Luis Suárez de Vivero, da Universidade de Sevilha.

A participação na conferência é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo site:
http://www.inovacao.usp.br/uspconferencias/mar/index.html

Palestrantes

Tema: Oceano e Clima / Ocean and Climate
  • Antonio Busalacchi - University of Maryland
  • William Curry - Woods Hole Oceanographic Institution
  • Paul Falkowski - Rutgers University
  • Joaquim Goes - Lamont-Doherty Earth Observatory
Tema: Biodiversidade Marinha / Marine Biodiversity
  • Farooq Azam - Scripps Institution of Oceanography
  • Thomas Malone - University of Maryland
  • Sergio Navarrete - Pontificia Universidad Católica de Chile
  • Jonathan Zehr - University of California
Tema: Exploração em Águas Profundas / Deep Ocean Exploration
  • Mark Benfield - Louisiana State University
  • Michael Vecchione - National Systematics Laboratory (NOAA)
  • Juan Luis Suárez de Vivero - Universidad de Sevilla

20 Abril 2012

Novo navio oceanográfico brasileiro está a caminho

FONTE: Agência FAPESP, 12/04/2012. Por Fábio de Castro


Alpha Crucis, o novo navio oceanográfico brasileiro, está a caminho do país. Depois de passar por reformas nos últimos 10 meses, em Seattle (Estados Unidos), o navio zarpou no dia 30 de março com destino ao porto de Santos (SP). A data prevista de chegada é 10 de maio.

O navio foi adquirido pela FAPESP para a Universidade de São Paulo (USP), que também ficará responsável pela manutenção e gestão da embarcação. A compra faz parte de um projeto de incremento da capacidade de pesquisa submetido à FAPESP pelo Instituto Oceanográfico (IO) da USP, no âmbito do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU).

De acordo com o diretor do IO-USP, Michel Michaelovitch Mahiques, o navio deverá levar a capacidade de pesquisas oceanográficas a um patamar inédito no Brasil. O país não tinha um navio oceanográfico civil em operação desde 2008, quando o navio Professor W. Besnard, utilizado desde 1967, sofreu um incêndio e ficou sem condições operacionais de pesquisa.

“O Alpha Crucis proporcionará um imenso salto qualitativo na pesquisa oceanográfica. Uma das razões para isso é que ele tem capacidade para navegar por 40 dias, enquanto o Professor Besnard tinha autonomia limitada a 15 dias. Isso significa que o novo navio poderá fazer estudos em oceano aberto, ampliando nossos limites geográficos de pesquisa”, disse Mahiques à Agência FAPESP.

Além da maior autonomia, o Alpha Crucis dispõe de equipamentos que não estavam disponíveis no Professor Besnard, o que amplia a gama de possibilidades de pesquisa. “Alguns desses equipamentos viabilizarão estudos de cardumes, de mapeamento de relevo de fundo, de medição de correntes, por exemplo, que antes seriam impossíveis. O potencial de pesquisa é muito maior”, disse Mahiques.

Com o novo navio também será possível operar um veículo submersível operado remotamente (ROV, na sigla em inglês) de pequenas dimensões. O Alpha Crucis também ampliará a capacidade de pesquisa para além de estudos estritamente oceanográficos.

Projetos ligados ao Programa BIOTA-FAPESP e ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) serão especialmente favorecidos. “No Professor Besnard era muito difícil realizar estudos sobre diversidade de organismos de água profunda, por exemplo”, disse Mahiques.

O Alpha Crucis, que antes (com o nome Moana Wave) pertencia à Universidade do Havaí, tem 64 metros de comprimento por 11 metros de largura. O navio tem capacidade para levar 20 pessoas e deslocar 972 toneladas. O custo total da embarcação, incluindo a reforma, foi de US$ 11 milhões.

Nos últimos 10 meses, várias reformas e modificações foram realizadas na embarcação, no estaleiro onde se encontrava em Seattle. “A reforma teve duas vertentes. Uma delas correspondeu às adaptações necessárias para que o navio, fabricado em 1973, atendesse à legislação brasileira atual referente à segurança de embarcações. A segunda vertente foi voltada para modernizar o navio, atendendo às demandas da pesquisa científica”, disse.

A adequação à legislação exigiu a substituição de diversas paredes e a troca do material do forro e do piso. Toda a mobília de madeira foi substituída por metal e foram também instalados novos equipamentos de segurança. A modernização incluiu a reforma de todos os laboratórios a bordo, além da instalação de novos elementos na ponte de comando, novos guinchos e novos equipamentos científicos.

“O Alpha Crucis está concretamente pronto para operar. Mas, quando atracar em Santos, ainda será preciso realizar o processo de nacionalização do navio junto à Receita Federal. Em seguida, será realizado o trâmite burocrático de transferência da propriedade da FAPESP para a USP. A partir de julho, o navio deverá ter condições para operar de fato”, explicou Mahiques.

Posicionamento dinâmico

Foram instalados no navio perfiladores acústicos de corrente, sistemas de mapeamento de fundo – um deles conhecido como ecossonda multifeixe –, sistemas de mapeamento de subsuperfície, que permitem estudar as camadas abaixo do fundo do mar, e sistemas acústicos de mensuração de cardumes.

“Um dos acréscimos mais importantes foi a instalação de um sistema de posicionamento dinâmico. Embora não seja um equipamento de pesquisa, é um instrumento de navegação que dará mais qualidade aos dados”, disse Mahiques.

O sistema de posicionamento dinâmico – que inclui sensores aliados a hélices na proa do navio e um sistema de lemes independente – permite que o navio corrija continuamente, de forma automática, sua posição no mesmo ponto do oceano.

“Quando começávamos uma estação oceanográfica com o Professor Besnard, o vento e a corrente deslocavam o navio continuamente. Quando era preciso ficar muito tempo em uma estação, isso exigia manobras para voltar ao ponto o tempo todo. Com o posicionamento dinâmico, o navio fica parado automaticamente, garantindo que não haja deriva, tornando os dados mais fidedignos”, explicou Mahiques.

O uso do navio não ficará restrito aos pesquisadores do IO-USP, mas será compartilhado com projetos de pesquisa de outras unidades da USP e de outras instituições.

“Por determinação da FAPESP, criamos um comitê gestor que está recebendo demandas de utilização. Além de organizar o calendário do navio, o comitê é responsável por administrar a embarcação, apontando exigências e necessidades de otimização do tempo de uso”, disse Mahiques.

Os custos de manutenção e operação do navio serão cobertos pela USP. “É difícil prever os valores, porque um dos principais componentes do custo de operação é o óleo combustível, mas muitos projetos incluem o fornecimento do óleo por outros parceiros. Entretanto, há itens de custo fixo importantes. O principal é o seguro, que nos custou US$ 400 mil por um ano”, disse.

A tripulação do navio, remunerada pela USP, é em grande parte a mesma que trabalhava no Professor Besnard. “A maior parte do pessoal já é bastante experimentado em trabalho oceanográfico”, disse Mahiques.

Professor Besnard

O destino do Professor Besnard é motivo de grande preocupação, já que a USP não tem condições para manter dois navios. “Em conversas informais, a prefeitura de Santos manifestou o interesse de receber o navio em doação para transformá-lo em um museu marítimo. Mas, infelizmente, não houve mais nenhuma manifestação formal, com um pedido de doação”, disse Mahiques.

A situação é preocupante, porque atualmente o Professor Besnard está atracado em frente ao Armazém 8, no porto de Santos, exatamente no local onde ficará o Alpha Crucis. O IO-USP está pleiteando a cessão do Armazém 8 para a criação de uma base oceanográfica. Se o caso não for solucionado rapidamente, o Professor Besnard precisará ser afundado.

“Sem um pedido formal de doação do Professor Besnard com um fim específico, não teremos alternativa além do afundamento controlado do navio, para transformá-lo em um recife artificial com fins de pesquisa. Mas essa seria uma saída muito dolorosa para todos nós, porque o Professor Besnard é o primeiro navio oceanográfico brasileiro e tem um valor histórico inestimável”, afirmou Mahiques.

Além do Alpha Crucis, o incremento da capacidade de pesquisa oceanográfica no IO-USP inclui o Alpha Delfini, o primeiro barco oceanográfico inteiramente construído no Brasil. O barco teve sua construção iniciada em agosto de 2011, no estaleiro Inace, em Fortaleza (CE), e também foi adquirido com apoio da FAPESP por meio do Programa Equipamentos Multiusuários.

“O Alpha Delfini terá 25 metros de comprimento e autonomia de 10 a 15 dias. A construção está avançada e o barco deverá ter condições de operação no segundo semestre de 2012”, disse Mahiques.

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Partida


Teste de mar


Teste de mar


Incorporação




17 Abril 2012

Workshop reúne experiências de gerenciamento de dados marinhos


Cientistas de diversos países se reúnem na FAPESP em encontro para criar diretrizes que possam melhorar a coleta e o compartilhamento de informações sobre a costa e o mar do Brasil (BIOTA-FAPESP)
FONTE: Revista FAPESP, 13/04/2012 Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Embora o Brasil seja um dos países com maior área litorânea do mundo, o conhecimento sobre os biomas costeiros e marinhos ainda é incipiente no país. Para tentar inverter a situação, cientistas brasileiros se reuniram com especialistas de diversos países no workshop Marine Data Management, realizado na sede da FAPESP nos dias 11 e 12 de abril.

Como melhorar e orientar a coleta de dados nessa área e como articular as informações já existentes foi a linha condutora do evento. “A coleta de dados marinhos, quando comparada à feita no ambiente terrestre, é muito mais cara e logisticamente difícil. Por isso, é importante tirar o maior proveito possível dos recursos investidos, o que envolve ações de gerenciamento de dados”, explicou o geógrafo Luis Conti, membro do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (NP-BioMar) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do evento.

Segundo Conti, a pressão sobre a costa e o mar tende a aumentar muito nos próximos anos, pois ao crescimento econômico do Brasil estão atrelados investimentos na construção de portos, na exploração de petróleo e outras fontes de energia, na construção de oleodutos e no transporte marítimo. “É preciso conhecer melhor esse ambiente e saber quais são as áreas mais vulneráveis à ação humana para que seja possível planejar ações de conservação”, disse.

Falta de conhecimento, no caso brasileiro, não significa falta de dados. “Temos bons trabalhos na área de identificação de espécies e taxonomia. Mas não adianta saber toda a linha evolutiva de um bicho ou de uma planta e não conhecer sua relação com o hábitat”, disse Conti.

O maior problema é o fato de os dados existentes estarem pulverizados e muito pouco acessíveis ao público em geral e mesmo à comunidade científica.

“Há, por exemplo, um mapa de topografia em uma gaveta do Instituto Oceanográfico. Os dados de correntes marinhas estão com a Marinha. As informações sobre a biologia estão em um catálogo em algum instituto de biociências. Está tudo disperso. Ninguém ainda conseguiu reunir todas essas informações de modo que se possa ter uma noção do conjunto”, afirmou.

O workshop foi importante para mostrar aos participantes como outros países têm trabalhado para melhorar a coleta de dados marinhos e para criar sistemas de informação e bancos de dados integrados.

O representante da Agência Ambiental Europeia, Andrus Meiner, falou sobre como foi importante criar marcos legais para regulamentar a coleta e o compartilhamento de informações que ajudam a orientar o uso do ambiente marinho pelos diversos países do bloco.

Meiner mostrou também algumas iniciativas que estão sendo implementadas, como o European Marine Observation and Data Network (EMODnet) – um portal com informações sobre o terreno de diversas regiões marinhas europeias – e o Eye On Earth – uma rede on-line de mapeamento e compartilhamento de informações ambientais.

Simon Claus, do Instituto Marinho de Flanders, na Bélgica, contou como foi complexa a padronização dos nomes das espécies marinhas durante a criação do World Register of Marine Species (WoRMS) – um banco de dados que pretende reunir uma lista completa de organismos marinhos.

Claus mostrou também como é o processo de classificação e registro dos dados recebidos pelo instituto antes de sua inclusão em um banco disponível para consulta.

Rikk Kvitek, da California State University, nos Estados Unidos, um dos maiores especialistas mundiais em batimetria – medição da profundidade de oceanos, lagos e rios –, falou sobre sua experiência em mapear a região costeira da Califórnia.

Segundo Conti, essa é uma das áreas em que o Brasil mais precisa investir na coleta de dados. “Eles já cometeram erros ao mapear o terreno da Califórnia, podemos aprender com eles”, disse.

Após o término das exposições e dos debates abertos ao público, na sexta-feira (13/04) ocorrerá uma rodada de discussões entre os palestrantes estrangeiros e cientistas brasileiros, com a proposta de definir diretrizes para orientar futuras pesquisas sobre o ambiente marinho no Estado de São Paulo.

“Pretendemos definir as prioridades na coleta de dados para os próximos anos e como padronizar o registro de informações para que, no futuro, elas possam ser integradas não apenas com a de outros grupos de pesquisa paulistas, mas também de outros Estados”, afirmou Conti.

29 Fevereiro 2012

New Global Partnership to Bring Powerful Forces Together for Healthy Oceans


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The World Bank issued an SOS Friday on the state of the world's oceans and announced the formation of a powerful coalition to confront the ocean's growing number of overexploited fisheries, more than 400 "dead zones" where most marine life cannot survive, and the loss of important ecosystems to coastal development.

In a speech – "A New S-O-S: Save Our Seas"-- at the World Oceans Summit in Singapore, World Bank President Robert Zoellick said the new Global Partnership for Oceans would tap the experience and knowledge of multiple organizations, and leverage financing, projects, and programs in developing countries to better manage the ocean and its resources.

"The world's oceans are in danger, and the enormity of the challenge is bigger than one country or organization," said Robert Zoellick, president of the World Bank Group, one of the new coalition's partners.

"We need coordinated global action to restore our oceans to health. Together we'll build on the excellent work already being done to address the threats to oceans, identify workable solutions, and scale them up."

Zoellick said the partnership's goals would likely include: rebuilding at least half of the world's threatened fish stocks, more than doubling marine protected areas from 2% of the ocean's surface to at least 5%, increasing sustainable aquaculture to provide two-thirds of the world's fish (aquaculture today provides about 50% of seafood consumed by humans), and properly valuing ocean and coastal resources to enable better decision-making.

LEIA A NOTICIA COMPLETA AQUI

Leia Também

New Global Partnership to Bring Powerful Forces Together for Healthy Oceans

World Bank Group President Robert B. Zoellick's Q&A Session at The Economist World Oceans Summit

Links

http://www.globalpartnershipforoceans.org

13 Fevereiro 2012

Nível do mar subiu 12 milímetros em 8 anos

Por ano, Terra perdeu 536 bi de t de gelo; nível do mar aumentou
FONTE: Folha de São Paulo

FONTE DA IMAGEM: Folha de São Paulo
As geleiras e áreas cobertas por gelo na Terra perderam 536 bilhões de toneladas por ano entre 2003 e 2010, o que resultou na elevação de 12 milímetros no nível médio do mar nesse período, segundo aponta um estudo feito por cientistas da Universidade do Colorado, nos EUA, e publicado ontem na edição on-line da revista “Nature”.

O volume derretido por ano equivale a aproximadamente o dobro da quantidade de água que existe no rio Amazonas e corresponde a cerca de 0,002% de toda a quantidade de gelo que se estima existir no mundo.

O estudo é o primeiro a analisar com precisão o volume global de derretimento de todas as massas geladas do planeta com área coberta por gelo superior a 100 km², incluindo regiões fora da Antártida e da Groenlândia que, por conterem mais de 90% do gelo do mundo, sempre foram privilegiadas.

O novo levantamento inclui locais como topos de cordilheiras, onde constatou-se que o derretimento segue um ritmo menor que o esperado.

O estudo foi feito a partir da análise de dados das sondas gêmeas Grace, da Nasa, que desde 2002 fazem o mapeamento da massa e da gravidade terrestre.

“Esses novos resultados vão nos ajudar a responder questões importantes sobre a elevação do mar e como as regiões geladas estão respondendo ao aquecimento”, disse o físico John Wahr, um dos líderes do estudo.

Para Paolo Alfredini, professor do departamento de engenharia hidráulica e ambiental da USP, a pesquisa traz dados concretos que são coerentes com o monitoramento do nível do mar feito em diversos pontos do Brasil.

Ele chama a atenção, no entanto, para o fato de que o estudo traz valores médios para todo o mundo, enquanto que algumas áreas são mais afetadas que outras pela elevação do mar. É o caso das áreas tropicais, como a costa brasileira.

“Nessas regiões, o aquecimento da água provoca sua dilatação, o que a faz ocupar um volume maior.”

Segundo Alfredini, a extrapolação do resultado para um prazo de cem anos, considerando esses fatores, permite estimar que algumas áreas do país vão ter elevação de até um metro do nível do mar.

Isso significaria, numa praia com declive suave como a da cidade de Santos, um avanço do mar de até cem metros sobre a costa.

“As informações da pesquisa são preocupantes. O aquecimento não é uma questão folclórica e o Brasil está atrasado no despertar para as consequências desse processo, que pode afetar grandes áreas do país e do mundo.” (Fonte: Thiago Fernandes/Folha.com)

22 Dezembro 2011

Cientistas se preparam para monitorar oceano Atlântico

Fonte: Agência FAPESP, 19/12/2011, Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Os padrões de circulação das águas do oceano Atlântico Sul podem estar sofrendo transformações que têm potencial para interferir no clima global. A fim de entender esse fenômeno, um grupo internacional de cientistas instalará uma série de instrumentos de monitoramento ao longo de uma linha que se estende da América do Sul à África.

Essa tarefa, que integrará o projeto internacional Circulação Meridional do Atlântico Sul (Samoc, na sigla em inglês), terá uma importante participação brasileira: toda a parte ocidental da instrumentação será instalada e operada pelos pesquisadores de um projeto temático financiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Edmo Campos, do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP).

O projeto temático foi aprovado no início de dezembro no âmbito do acordo de cooperação FAPESP-Facepe-ANR, que prevê chamadas conjuntas de propostas de pesquisa envolvendo a FAPESP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Pernambuco (Facepe) e a Agência Nacional de Pesquisas da França (ANR, na sigla em francês).

Além da coordenação de Campos, do lado brasileiro, o projeto é coordenado do lado francês pela professora Sabrina Speich, do Instituto Universitário Europeu do Mar, da Universidade da Bretanha Ocidental (França).

Segundo Campos, o objetivo do projeto Samoc é monitorar a circulação das águas do Atântico Sul, já que existem indicações de que seus parâmetros estão sofrendo modificações.

“Esses parâmetros de circulação são, em última instância, um dos mecanismos que controlam o clima do planeta. O objetivo desse grupo internacional é monitorar o Atlântico Sul para entender como ele está se comportando no presente e, eventualmente, como se comportará no futuro com as mudanças que estão sendo identificadas”, disse Campos à Agência FAPESP.

Diversas áreas do oceano Atlântico já estão sendo monitoradas pelo projeto Samoc e por diferentes instituições como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e outras do Brasil, da Argentina, da África do Sul e da Europa. Segundo ele, essas iniciativas ainda são bastante tênues, mas tendem a se tornar, no futuro, um sistema de monitoramento oceânico permanente.

“Até agora o Brasil tinha participado desse conjunto de iniciativas apenas como coadjuvante. Mas, com o projeto que iniciamos agora, poderemos dar uma contribuição significativa à formação do sistema de monitoramento”, declarou.

Quando se observam as características físicas da circulação oceânica, segundo Campos, percebe-se que as atividades mais intensas ocorrem próximas aos continentes, principalmente do lado oeste. Por isso é importante distribuir os instrumentos ao longo da linha que vai de um continente até o outro, com maior adensamento em suas extremidades.

“O padrão de circulação do oceano Atlântico funciona como parte fundamental do mecanismo que distribui calor em vários locais do planeta. Se houver alteração nesse padrão, teremos resposta no clima, em escala regional e global. E esse padrão também responde às alterações na atmosfera”, explicou.

Segundo Campos, a instrumentação, que inclui sensores de velocidade, pressão, temperatura e salinidade, será fundeada – isto é, presa no fundo do mar – desde a América do Sul até a África do Sul, ao longo de uma linha que passa a 34,5 graus de latitude sul. A equipe brasileira cuidará de toda a parte oeste da rede de monitoramento. A equipe francesa, em cooperação com a sul-africana, ocupará a parte leste e os norte-americanos da NOAA e da Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês) cuidarão da parte central.

“A FAPESP está financiando alguns instrumentos cuja função é medir o transporte de volume – isto é, a velocidade das águas integrada em uma determinada seção. O objetivo é avaliar quanto fluido está sendo transportado e quanto calor e sal esse transporte de fluido carrega consigo. Queremos saber basicamente quanto calor está sendo transportado através dessa linha, em direção ao norte. Pequenas alterações nesse transporte de calor podem desencadear mudanças radicais no equilíbrio climático”, explicou.

Hoje, segundo Campos, sabe-se que o clima global é fortemente influenciado pela quantidade de calor que o Atlântico Sul transporta para o Atlântico Norte. “Por isso temos que medir a velocidade, a temperatura, a salinidade e uma série de parâmetros que nos permitirão entender como está sendo alterada a dinâmica da circulação”, afirmou.

A fim de monitorar mudanças de padrões de circulação do Atlântico Sul – que afetam o clima global –, projeto temático aprovado no âmbito da cooperação FAPESP-Facepe-ANR irá fundear instrumentos científicos em uma linha que vai da América do Sul à África. Fonte: Agência FAPESP

Missão para o Alpha Crucis


O fundeamento dos equipamentos na parte brasileira do projeto será feito até o fim de 2012, segundo Campos, pelo navio oceanográfico Alpha Crucis, adquirido com recursos da FAPESP e gerenciado pela USP. Os instrumentos, segundo ele, ficarão fundeados a profundidades que vão de 200 metros a 6 mil metros.

“Os equipamentos não fazem transmissão em tempo real, por isso o navio precisará ir até eles algumas vezes para recuperar dados utilizando um sonar, além de realizar manutenções. Os equipamentos possuem modems acústicos e os dados são coletados quando o navio passa por cima deles. A cada dois anos, em média, será preciso recolher os instrumentos para trocar as baterias e refazer o fundeio”, disse Campos.

Segundo Campos, o projeto Samoc será provavelmente uma das primeiras utilizações do Alpha Crucis em grande escala. Sem o navio, a operação ficaria limitada, pois seria preciso utilizar navios da Marinha, que têm uma série de restrições e tornam a realização da pesquisa muito difícil.

“O Brasil tem uma tradição de pesquisa costeira, por falta de recursos, mas com o navio à disposição vamos finalmente produzir oceanografia do mais alto nível internacional”, disse.

05 Novembro 2011

Fórum Permanente da Pesca Marinha do Sul do Brasil

Fonte: Jornal Agora

Em evento que reuniu armadores da pesca industrial, pescadores, professores, estudantes, secretários municipais e representantes do Governo Federal, entre outros, na sala Estuários do Cidec-sul da Furg, na tarde de hoje, 18, foi criado o Fórum Permanente da Pesca Marinha do Sul do Brasil. O novo órgão será integrado por representantes dos sindicatos dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí (Sindipi, de Santa Catarina) e dos Armadores da Pesca do RS (Sindarpes/RS), Escritório Regional do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), instituições de pesquisa e universidades do Rio Grande e de Itajaí.

Conforme o professor Marcelo Vasconcellos, do Instituto de Oceanografia da Furg, envolvido na iniciativa, o principal objetivo deste Fórum é criar espaço de discussão entre os setores produtivo, acadêmico, governamental e não-governamental para debater ações relativas à gestão da pesca que possam subsidiar o Governo Federal em suas decisões sobre a regulamentação da pesca industrial e semi-industrial na região Sul. Ele observa que está sendo criado um espaço que deveria ter sido instituído pelo Governo há muito, mas não foi.

O Fórum Permanente da Pesca Marinha do Sul do Brasil, é semelhante ao também pioneiro Fórum da Lagoa dos Patos, que envolve a pesca artesanal. É um órgão colegiado de função consultiva ao setor pesqueiro marítimo no âmbito político, econômico, social e ambiental, que terá uma coordenação. Na reunião de ontem, também começou a ser discutido o estatuto do novo órgão e sua coordenação interina.

O encontro contou com a participação do diretor de Ordenamento da Pesca do MPA, João Dias, segundo o qual existe entendimento e disposição dos Ministérios da Pesca e do Meio Ambiente de avançar no processo de gestão dos recursos pesqueiros. Dias disse acreditar que é neste formato (organização em fórum) que ocorrerão os avanços.

O coordenador técnico do Sindarpes/RS, Jorge Melo, observou que a proposta com a criação do Fórum é tirar o estigma de que o setor produtivo é só extrativista e tornar a pesca mais sustentável e economicamente viável. Melo salientou que, atualmente, aqueles que tomam as decisões sobre o setor não são subsidiados de informações regionais, que são importantes para as tomadas de resoluções. E o Fórum irá levar essas informações até os que decidem.

Por Carmem Ziebell
carmem@jornalagora.com.br

20 Outubro 2011

Banco de imagens sobre biologia marinha

FONTE: Agência FAPESP

O Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) lançou o Cifonauta – um banco com mais de 11 mil imagens, 260 vídeos e panorâmicas e seleção de fotos sobre temas de interesse de biólogos e pesquisadores que estudam o meio ambiente marinho e do público, em geral.

De acordo com a USP, o objetivo do projeto, criado pelos pesquisadores Álvaro Esteves Migotto e Bruno Vellutini, é compartilhar informações científicas e divulgar a biodiversidade marinha por meio de imagens.

O processo de montagem do banco de imagens durou cerca de dois anos, entre o início das programações e as fases de teste em sistema fechado. O conteúdo apresenta referências bibliográficas, com uma ficha técnica do organismo contendo seu tamanho, local de origem e nome científico, por exemplo.

A estrutura de buscas se dá por meio de diversos marcadores ou pela classificação taxonômica – divisão por reino, filo, classe, até chegar à espécie desejada.

O conteúdo do banco está sob a licença de uso Creative Commons, que permite a divulgação do conteúdo desde que dados os devidos créditos do trabalho e que seja utilizado para fins não comerciais, sem necessidade de pedir autorização para isso.

As fotos veiculadas no banco de imagens são feitas com diversas técnicas. Normalmente câmeras digitais são acopladas em microscópios ópticos ou eletrônicos, dependendo do organismo fotografado, podendo ser aumentada a resolução em até mil vezes.

Outra técnica, pouco utilizada por ter um custo bastante elevado, consiste no uso de um microscópio eletrônico de varredura (MEV), utilizando-se de um feixe de elétrons para realizar a fotografia, por meio de um processo altamente sofisticado.

“Temos uma costa oceânica imensa e conhecemos muito pouco sobre ela. É neste sentido que as imagens são bons instrumentos de divulgação para a biologia marinha, pois despertam a curiosidade e a reflexão sobre a enorme diversidade dos oceanos”, disse Vellutini.

Mais informações: http://cifonauta.cebimar.usp.br

05 Outubro 2011

Aquarius revela o primeiro mapa de salinidade dos oceanos


O Aquarius, um novo instrumento da NASA que faz parte do Aquarius/SAC-D ("Satélite de Aplicaciones Científicas") produziu o primeiro mapa global da salinidade da superfície dos oceano, proporcionando uma visão antecipada doque o equipamento Aquarius pode proporcionar. Sua riquíssima variedade de padrões de salinidade mundial demonstra a capacidade do equipamento Aquarius para resolver em grande escala a distribuição de salinidade de forma clara e com forte contraste.

O novo mapa é uma composição das duas primeiras semanas e meia de dados desde 25 de agosto, quando o Aquarius tornou-se operacional. Os valores numéricos representam concentração de sal em partes por mil (gramas de sal por quilograma de água do mar). Cores amarela e vermelha representam áreas de maior salinidade, com azuis e roxos, indicando áreas de menor salinidade. Áreas de cor preta são lacunas nos dados. A salinidade média no mapa é cerca de 35.

O mapa revela características conhecidas da salinidade dos oceano, como a maior salinidade nas regiões subtropicais, salinidade média mais elevada no Oceano Atlântico em comparação com os Oceanos Pacífico e Índico, e menor salinidade em cintos de chuva perto do equador, no norte do Oceano Pacífico e em alguns outros lugares. Estas características estão relacionadas a grandes padrões de precipitação e evaporação sobre o oceano, vazão de rios e circulação oceânica. O Aquarius vai monitorizar a forma como esses recursos mudam com o tempo e estudar a sua ligação às variações climáticas e meteorológicas.

Leia a notícia completa no site da NASA.

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24 Setembro 2011

Impacto da ciência nacional

FONTE: Agencia FAPESP
Em comparação com todos os países da América Latina e do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), os cientistas brasileiros são os que conseguem taxas de impacto mais altas com publicações em revistas nacionais.

A análise foi feita por Félix Moya, pesquisador do Departamento de Dinâmica da Ciência e da Inovação do Instituto de Políticas e Bens Públicos de Granada (Espanha), durante o 2º Seminário de Avaliação do Desempenho dos Periódicos Brasileiros no JCR, realizado na última sexta-feira (16/9) na sede da FAPESP, em São Paulo.

O evento foi promovido pelo programa Scientific Electronic Library Online (SciELO), criado em 1997 por meio de uma parceria entre a FAPESP e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

O objetivo do seminário foi discutir a crescente visibilidade conquistada pela ciência brasileira no Journal Citation Reports (JCR), o mais importante índice internacional de citações. A quantidade de periódicos nacionais indexados no JCR cresceu 43% de 2009 para 2010.

Segundo Moya, além do aumento da presença de publicações científicas editadas no Brasil no cenário internacional, houve uma clara melhora do impacto dessas publicações. Prova disso é que, em relação aos países do BRIC e da América Latina, o cientista do Brasil é o que consegue as mais altas taxas de impacto publicando em revistas nacionais.

“O SciELO tem muito a ver com isso, com toda certeza. Não há nenhum país do mundo que tenha um projeto nacional de acesso aberto a suas publicações como esse. Não é tudo o que tem que ser feito no campo da difusão de ciência no Brasil, mas é um passo muito importante e que não foi feito em outros países”, disse à Agência FAPESP.

O fator de impacto em si, no entanto, não deve ser um fim em si mesmo, de acordo com Moya. “A busca de um melhor impacto é importante à medida que ele pode ser considerado um sintoma da melhora da qualidade da pesquisa. Há uma clara correlação entre o impacto e a excelência da pesquisa. A importância disso, portanto, não se limita ao campo científico: o alto impacto da pesquisa tem grande relevância social”, disse.

As análises, no entanto, precisam ser feitas com cuidado, segundo Moya. De acordo com ele, o que não é verdade para um pesquisador pode ser verdade para um país.

“Se alguém diz que cada trabalho que é publicado em uma revista de alto impacto será um trabalho de excelência, está dizendo algo falso. Mas se alguém diz que se os pesquisadores brasileiros tendem a publicar em revistas de mais impacto haverá uma maior quantidade de trabalhos de excelência, isso é verdade”, afirmou.

Segundo ele, é preferível que os pesquisadores se submetam a processos mais rigorosos e competitivos para publicação dos trabalhos, porque isso é o que garante a qualidade desses trabalhos no conjunto da comunidade científica. Mas, ainda que não sejam as preferidas, as revistas de baixo impacto também têm sua função.

“Só deixarão de publicar nas revistas de menores impactos aqueles que podem publicar nas de alto impacto. Para os outros, é preciso ter outras revistas. Os que são publicados nas revistas de baixo impacto não são necessariamente piores. O mesmo pesquisador pode publicar alternativamente em ambos os tipos de revistas. Esse assunto é muito mal analisado e as conclusões são muito mal tiradas quando se olha para casos individuais. É um assunto que deve ser analisado como um sistema”, afirmou.

O sistema complexo de comunicação da ciência, de acordo com o pesquisador espanhol, tem a capacidade para implantar o conhecimento em distintos níveis de revistas. “Nem os pesquisadores nem as revistas ficam imóveis. O que faz falta é que sejam observadas as tendências que devem seguir pesquisadores e revistas”, disse.

Se para o pesquisador é recomendável buscar as revistas de alto impacto, para as revistas é fundamental desenvolver uma política editorial que incremente a colaboração internacional. Para Moya, os editores devem desenvolver atividades de marketing científico.

“Seria interessante, por exemplo, se os editores das revistas brasileiras enviassem a cada um dos cientistas citados em suas revistas um comunicado sobre a citação. Isso geraria um processo de diálogo, fazendo com que os autores dos trabalhos citados conheçam mais a revista, já que são potenciais colaboradores. Esse tipo de prática de marketing científico melhora a visibilidade internacional dos trabalhos”, apontou.

Segundo Moya, quando a revista tem mais colaborações internacionais, os autores aumentam o espectro da procedência de suas citações. “Creio que por isso foi estabelecida a diferença entre a atividade de editor, que se ocupa do nível científico da revista, e a atividade de publisher, que é um editor profissional, que trata de conseguir, no âmbito da pura comunicação, a maior visibilidade possível para a publicação. Nem todas revistas têm um publisher, mas é um papel central no processo”, disse.

Internacionalização da ciência

Durante o evento, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou o interesse da Fundação em acompanhar o desempenho das revistas brasileiras que angariaram mais interesse internacional e aumentaram sua visibilidade.

“Temos interesse em acompanhar o desempenho e desenvolvimento dessas coleções de revistas para saber que ações poderemos realizar no período subsequente a fim de intensificar esses progressos. Por outro lado, esperamos que o debate ajude a diagnosticar os gargalos e problemas a fim de buscarmos soluções para eles”, disse.

Brito Cruz destacou também a importância da internacionalização da ciência brasileira proporcionada pela consolidação das publicações científicas. De acordo com ele, o progresso da ciência ocorre de forma mais intensa quando há diálogo entre os cientistas de várias partes do mundo.

“Quando medimos o impacto das publicações, queremos avaliar a comunicação. Publicar um artigo científico é um ato de comunicação. É uma forma de comunicar aos outros as descobertas e submetê-las à crítica. Gostaria que a ciência feita no Brasil conversasse mais com o mundo. Quanto mais as pessoas inteligentes daqui dialogarem com gente inteligente no mundo, mais a ciência brasileira irá progredir”, analisou.

De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do SciELO, entre 2007 e 2010 houve um crescimento de 17% dos periódicos publicados pelo programa. A média de crescimento, nesse período, foi de 5% ao ano. Por outro lado, a presença brasileira aumentou quatro vezes entre 2007 e 2008 em uma das principais bases de dados internacionais – a Web of Science-ISI (WoS), na qual se fundamenta o JCR.

“O ingresso de mais periódicos brasileiros na WoS e outras bases de dados importantes contribuíram para que o Brasil subisse para a 13ª posição no ranking mundial de produção científica. Nessa produção, contando artigos e revisões, o peso dos periódicos brasileiros é de 33% do total”, disse Packer.

Com 33% o Brasil tem uma porcentagem grande de artigos com fator de impacto publicados em periódicos nacionais em relação a outros países como África do Sul (21%), Índia (17%), China (16%), México (10%) e Espanha (10%).

“No fator de impacto o Brasil não está mal em termos de comparação entre periódicos nacionais. Cerca de 10% dos periódicos têm fator de impacto acima da média em suas respectivas áreas. Nosso desafio é subir para 15% ou 20% dos periódicos com fator de impacto acima da mediana”, disse Packer.

Rogério Meneghini, coordenador científico do programa SciELO, destacou que a ciência é um processo cíclico. Segundo ele, a produção científica propriamente dita não é o último passo do processo, do qual fazem parte também a comunicação científica e a discussão informal com os pares. “Publicar é um feito complexo, muito importante, do processo de fazer ciência”, afirmou.

De acordo com Meneghini, ao contrário dos países desenvolvidos, onde o número de periódicos está relacionado diretamente aos interesses comerciais, nos países emergentes o número de publicações tem conexão com a necessidade de dar vazão à produção científica.

“No momento da publicação há duas rotas possíveis, a nacional e a internacional. O que estamos discutindo nos últimos anos – e que seguiremos discutindo – é o quanto a publicação brasileira começa a ganhar overlap em relação à produção internacional. Ou seja, em que medida aquilo que publicamos aqui passa a fazer parte do contexto internacional de publicações científicas”, disse.

15 Setembro 2011

Corte de custos na BP levaram a acidente no Golfo

Fonte:Folha de Sao Paulo, 14/09/2011

A cultura empresarial de reduzir custos de produção sem avaliar os riscos implicados em cada decisão foi o pano de fundo do maior derramamento marinho de petróleo da história. Esse foi o tom do relatório final do governo dos EUA sobre as investigações do acidente de abril de 2010 no golfo do México, que responsabiliza a companhia BP e suas parceiras pelo desastre.

O documento, divulgado hoje pelo Boemre, a agência reguladora de exploração oceânica de petróleo do país, enumera os problemas que levaram ao desastre com detalhamento sem precedentes, distribuindo as culpas pela sequência de erros que culminaram no desastre.

O acidente, diz o relatório, "foi resultado de um gerenciamento de riscos pobre, mudanças de planos feitas em cima da hora, falha em respeitar e reagir a indicadores críticos, controle inadequado do poço e treinamento insuficiente para situações de emergência".

A junta de investigação responsável pelo documento confirmou que a causa central do desastre foi uma barreira de cimento mal construída em um dos tubos que reforçavam a estrutura do poço. A explosão que matou 11 técnicos e desencadeou o vazamento de quase 5 milhões de barris de petróleo, porém, não teria ocorrido sem o acúmulo de procedimentos negligenciados pela BP, pela Transocean (empresa dona do poço) e pela Halliburton (terceirizada que cimentou a tubulação).

Um dos primeiros problemas foi a falha de técnicos em interpretar anomalias reveladas num teste de avaliação do estado do poço. Este erro só foi notado duas horas depois, tempo durante o qual medidas de emergência poderiam ter evitado o acidente. Segundo o relatório, além de dar treinamento ruim aos técnicos, a empresa tinha o hábito de delegar aos funcionários mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Os responsáveis pelo procedimento de segurança também estavam realizando manutenção em parte dos equipamentos no mesmo dia.

"As decisões da BP para cortar custos ou economizar tempo, sem considerar contingência ou formas de mitigação, contribuíram para a explosão", diz o relatório. Segundo o documento, alterações no projeto do poço que baratearam sua construção também são, em parte, responsáveis pelo acumulo de gás na estrutura onde ocorreu o acidente.

CULPA TERCEIRIZADA

A BP divulgou hoje um comunicado de imprensa afirmando que "concorda" com as conclusões do relatório, destacando o fato de que o documento também cita a Transocean e a Halliburton como culpadas.

"Continuamos a encorajar as outras partes a reconhecerem suas responsabilidades no acidente e a fazerem mudanças que ajudem a prevenir acidentes similares no futuro", afirma a empresa britânica, que move um processo contra a Transocean.

A Halliburton, que entrou com um processo contra a BP no início deste mês, afirma que o problema com a barreira de cimento ocorreu em razão de a empresa operadora do poço omitir informações técnicas importantes sobre o local da obra.

A Transocean, que completou sua própria investigação interna, divulgou em abril um relatório atribuindo à BP a culpa por adotar procedimentos arriscados no poço.

O relacionamento ruim entre as empresas, porém, não foi apenas consequência, mas causa do acidente, afirma o relatório do governo: "A falha da BP e da Transocean em garantir uma abordagem comum e integrada para controle do poço foi possivelmente uma causa a contribuir para a explosão".