08 Dezembro 2009

Golfinhos ameaçados se refugiam na fronteira com o Uruguai

Fonte: Guacira Merlin para o Globo Reporter



[...] Na Região Sul, noventa botos nadam nas águas perto dos molhes que ligam a lagoa dos patos ao mar. Desde a década de 1970 eles despertam o interesse dos pesquisadores do Museu Oceanográfico de Rio Grande.

"O objetivo principal da pesquisa é monitorar, a longo prazo, essa população, ou seja, saber até que ponto essa população está ameaçada ou não pela ação humana", explica o biólogo Pedro Fruet.

[...] Até o início deste século não havia riscos graves à sobrevivência desses animais. Então, eles começaram a aparecer mortos nas praias, em número cada vez maior. Foram 37 em apenas três anos. Três vezes mais do que acontecia antes.

"O número de redes de pesca aumentou muito, assim como o tamanho das redes. Então, os botos acabam caindo nas redes acidentalmente. Logicamente, os pescadores não querem matá-los, mas eles acabam morrendo por asfixia. Se pudéssemos sugerir alguma estratégia de conservação, simplesmente sugeriríamos que a pesca não acontecesse no primeiro quilômetro, desde a praia em direção ao mar", explica Pedro.

Um dos bichos avistados traz as marcas do encontro com os pescadores. "Ele ainda está com a rede malhada no corpo e a nadadeira está sendo cortada pelo náilon. Ele vai perder a nadadeira dorsal. Esperamos que continue vivo, mas a gente não sabe o que vai acontecer", diz o biólogo.

[...] As imagens de golfinhos mergulhando no litoral das Américas – como as registradas pelos pesquisadores brasileiros – são um bom presságio. Quem estuda o animal afirma: ele é um sentinela das águas. Enquanto estiver presente, há esperanças de se manter o equilíbrio entre o homem e a vida marinha.

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