21 Dezembro 2009

Pequeno aumento do gás carbônico atmosférico pode ter efeitos drásticos no clima global

A maioria dos modelos climáticos considera apenas processos de curto prazo (como a formação de nuvens e gelo nos oceanos) na avaliação da sensibilidade da Terra aos gases do efeito estufa. Uma recente publicação na revista Nature Geoscience encontrou evidências que indicam que a resposta poderia ser maior se as condições limite mudarem drasticamente.

No início do Plioceno (três a cinco milhões de anos atrás) as temperaturas globais eram cerca de 3—4°C mais altas do que hoje em latitudes mais baixas, e até 10°C mais quente perto dos pólos. Simulações climáticas e reconstruções deste período geológico relativamente recente podem ajudar a limitar magnitudes realistas de aquecimento futuro. Sob os cenários de efeito de estufa comumente considerados atualmente, concentrações de dióxido de carbono atmosférico de 500—600 ppmv — aproximadamente o dobro do nível pré-industrial — seriam necessárias para produzir o clima do Plioceno. Escrevendo na revista Nature Geoscience, Pagani et al. e Lunt et al. sugerem que o início do Plioceno quente teve concentrações de dióxido de carbono muito mais baixas na atmosfera, o que teria implicações potencialmente devastadoras para o futuro a longo prazo do planeta.

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