22 de dez de 2011

Cientistas se preparam para monitorar oceano Atlântico

Fonte: Agência FAPESP, 19/12/2011, Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Os padrões de circulação das águas do oceano Atlântico Sul podem estar sofrendo transformações que têm potencial para interferir no clima global. A fim de entender esse fenômeno, um grupo internacional de cientistas instalará uma série de instrumentos de monitoramento ao longo de uma linha que se estende da América do Sul à África.

Essa tarefa, que integrará o projeto internacional Circulação Meridional do Atlântico Sul (Samoc, na sigla em inglês), terá uma importante participação brasileira: toda a parte ocidental da instrumentação será instalada e operada pelos pesquisadores de um projeto temático financiado pela FAPESP e coordenado pelo professor Edmo Campos, do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP).

O projeto temático foi aprovado no início de dezembro no âmbito do acordo de cooperação FAPESP-Facepe-ANR, que prevê chamadas conjuntas de propostas de pesquisa envolvendo a FAPESP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Pernambuco (Facepe) e a Agência Nacional de Pesquisas da França (ANR, na sigla em francês).

Além da coordenação de Campos, do lado brasileiro, o projeto é coordenado do lado francês pela professora Sabrina Speich, do Instituto Universitário Europeu do Mar, da Universidade da Bretanha Ocidental (França).

Segundo Campos, o objetivo do projeto Samoc é monitorar a circulação das águas do Atântico Sul, já que existem indicações de que seus parâmetros estão sofrendo modificações.

“Esses parâmetros de circulação são, em última instância, um dos mecanismos que controlam o clima do planeta. O objetivo desse grupo internacional é monitorar o Atlântico Sul para entender como ele está se comportando no presente e, eventualmente, como se comportará no futuro com as mudanças que estão sendo identificadas”, disse Campos à Agência FAPESP.

Diversas áreas do oceano Atlântico já estão sendo monitoradas pelo projeto Samoc e por diferentes instituições como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e outras do Brasil, da Argentina, da África do Sul e da Europa. Segundo ele, essas iniciativas ainda são bastante tênues, mas tendem a se tornar, no futuro, um sistema de monitoramento oceânico permanente.

“Até agora o Brasil tinha participado desse conjunto de iniciativas apenas como coadjuvante. Mas, com o projeto que iniciamos agora, poderemos dar uma contribuição significativa à formação do sistema de monitoramento”, declarou.

Quando se observam as características físicas da circulação oceânica, segundo Campos, percebe-se que as atividades mais intensas ocorrem próximas aos continentes, principalmente do lado oeste. Por isso é importante distribuir os instrumentos ao longo da linha que vai de um continente até o outro, com maior adensamento em suas extremidades.

“O padrão de circulação do oceano Atlântico funciona como parte fundamental do mecanismo que distribui calor em vários locais do planeta. Se houver alteração nesse padrão, teremos resposta no clima, em escala regional e global. E esse padrão também responde às alterações na atmosfera”, explicou.

Segundo Campos, a instrumentação, que inclui sensores de velocidade, pressão, temperatura e salinidade, será fundeada – isto é, presa no fundo do mar – desde a América do Sul até a África do Sul, ao longo de uma linha que passa a 34,5 graus de latitude sul. A equipe brasileira cuidará de toda a parte oeste da rede de monitoramento. A equipe francesa, em cooperação com a sul-africana, ocupará a parte leste e os norte-americanos da NOAA e da Fundação Nacional de Ciência (NSF, na sigla em inglês) cuidarão da parte central.

“A FAPESP está financiando alguns instrumentos cuja função é medir o transporte de volume – isto é, a velocidade das águas integrada em uma determinada seção. O objetivo é avaliar quanto fluido está sendo transportado e quanto calor e sal esse transporte de fluido carrega consigo. Queremos saber basicamente quanto calor está sendo transportado através dessa linha, em direção ao norte. Pequenas alterações nesse transporte de calor podem desencadear mudanças radicais no equilíbrio climático”, explicou.

Hoje, segundo Campos, sabe-se que o clima global é fortemente influenciado pela quantidade de calor que o Atlântico Sul transporta para o Atlântico Norte. “Por isso temos que medir a velocidade, a temperatura, a salinidade e uma série de parâmetros que nos permitirão entender como está sendo alterada a dinâmica da circulação”, afirmou.

A fim de monitorar mudanças de padrões de circulação do Atlântico Sul – que afetam o clima global –, projeto temático aprovado no âmbito da cooperação FAPESP-Facepe-ANR irá fundear instrumentos científicos em uma linha que vai da América do Sul à África. Fonte: Agência FAPESP

Missão para o Alpha Crucis


O fundeamento dos equipamentos na parte brasileira do projeto será feito até o fim de 2012, segundo Campos, pelo navio oceanográfico Alpha Crucis, adquirido com recursos da FAPESP e gerenciado pela USP. Os instrumentos, segundo ele, ficarão fundeados a profundidades que vão de 200 metros a 6 mil metros.

“Os equipamentos não fazem transmissão em tempo real, por isso o navio precisará ir até eles algumas vezes para recuperar dados utilizando um sonar, além de realizar manutenções. Os equipamentos possuem modems acústicos e os dados são coletados quando o navio passa por cima deles. A cada dois anos, em média, será preciso recolher os instrumentos para trocar as baterias e refazer o fundeio”, disse Campos.

Segundo Campos, o projeto Samoc será provavelmente uma das primeiras utilizações do Alpha Crucis em grande escala. Sem o navio, a operação ficaria limitada, pois seria preciso utilizar navios da Marinha, que têm uma série de restrições e tornam a realização da pesquisa muito difícil.

“O Brasil tem uma tradição de pesquisa costeira, por falta de recursos, mas com o navio à disposição vamos finalmente produzir oceanografia do mais alto nível internacional”, disse.

5 de nov de 2011

Fórum Permanente da Pesca Marinha do Sul do Brasil

Fonte: Jornal Agora

Em evento que reuniu armadores da pesca industrial, pescadores, professores, estudantes, secretários municipais e representantes do Governo Federal, entre outros, na sala Estuários do Cidec-sul da Furg, na tarde de hoje, 18, foi criado o Fórum Permanente da Pesca Marinha do Sul do Brasil. O novo órgão será integrado por representantes dos sindicatos dos Armadores e das Indústrias de Pesca de Itajaí (Sindipi, de Santa Catarina) e dos Armadores da Pesca do RS (Sindarpes/RS), Escritório Regional do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), instituições de pesquisa e universidades do Rio Grande e de Itajaí.

Conforme o professor Marcelo Vasconcellos, do Instituto de Oceanografia da Furg, envolvido na iniciativa, o principal objetivo deste Fórum é criar espaço de discussão entre os setores produtivo, acadêmico, governamental e não-governamental para debater ações relativas à gestão da pesca que possam subsidiar o Governo Federal em suas decisões sobre a regulamentação da pesca industrial e semi-industrial na região Sul. Ele observa que está sendo criado um espaço que deveria ter sido instituído pelo Governo há muito, mas não foi.

O Fórum Permanente da Pesca Marinha do Sul do Brasil, é semelhante ao também pioneiro Fórum da Lagoa dos Patos, que envolve a pesca artesanal. É um órgão colegiado de função consultiva ao setor pesqueiro marítimo no âmbito político, econômico, social e ambiental, que terá uma coordenação. Na reunião de ontem, também começou a ser discutido o estatuto do novo órgão e sua coordenação interina.

O encontro contou com a participação do diretor de Ordenamento da Pesca do MPA, João Dias, segundo o qual existe entendimento e disposição dos Ministérios da Pesca e do Meio Ambiente de avançar no processo de gestão dos recursos pesqueiros. Dias disse acreditar que é neste formato (organização em fórum) que ocorrerão os avanços.

O coordenador técnico do Sindarpes/RS, Jorge Melo, observou que a proposta com a criação do Fórum é tirar o estigma de que o setor produtivo é só extrativista e tornar a pesca mais sustentável e economicamente viável. Melo salientou que, atualmente, aqueles que tomam as decisões sobre o setor não são subsidiados de informações regionais, que são importantes para as tomadas de resoluções. E o Fórum irá levar essas informações até os que decidem.

Por Carmem Ziebell
carmem@jornalagora.com.br

20 de out de 2011

Banco de imagens sobre biologia marinha

FONTE: Agência FAPESP

O Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da Universidade de São Paulo (USP) lançou o Cifonauta – um banco com mais de 11 mil imagens, 260 vídeos e panorâmicas e seleção de fotos sobre temas de interesse de biólogos e pesquisadores que estudam o meio ambiente marinho e do público, em geral.

De acordo com a USP, o objetivo do projeto, criado pelos pesquisadores Álvaro Esteves Migotto e Bruno Vellutini, é compartilhar informações científicas e divulgar a biodiversidade marinha por meio de imagens.

O processo de montagem do banco de imagens durou cerca de dois anos, entre o início das programações e as fases de teste em sistema fechado. O conteúdo apresenta referências bibliográficas, com uma ficha técnica do organismo contendo seu tamanho, local de origem e nome científico, por exemplo.

A estrutura de buscas se dá por meio de diversos marcadores ou pela classificação taxonômica – divisão por reino, filo, classe, até chegar à espécie desejada.

O conteúdo do banco está sob a licença de uso Creative Commons, que permite a divulgação do conteúdo desde que dados os devidos créditos do trabalho e que seja utilizado para fins não comerciais, sem necessidade de pedir autorização para isso.

As fotos veiculadas no banco de imagens são feitas com diversas técnicas. Normalmente câmeras digitais são acopladas em microscópios ópticos ou eletrônicos, dependendo do organismo fotografado, podendo ser aumentada a resolução em até mil vezes.

Outra técnica, pouco utilizada por ter um custo bastante elevado, consiste no uso de um microscópio eletrônico de varredura (MEV), utilizando-se de um feixe de elétrons para realizar a fotografia, por meio de um processo altamente sofisticado.

“Temos uma costa oceânica imensa e conhecemos muito pouco sobre ela. É neste sentido que as imagens são bons instrumentos de divulgação para a biologia marinha, pois despertam a curiosidade e a reflexão sobre a enorme diversidade dos oceanos”, disse Vellutini.

Mais informações: http://cifonauta.cebimar.usp.br

5 de out de 2011

Aquarius revela o primeiro mapa de salinidade dos oceanos


O Aquarius, um novo instrumento da NASA que faz parte do Aquarius/SAC-D ("Satélite de Aplicaciones Científicas") produziu o primeiro mapa global da salinidade da superfície dos oceano, proporcionando uma visão antecipada doque o equipamento Aquarius pode proporcionar. Sua riquíssima variedade de padrões de salinidade mundial demonstra a capacidade do equipamento Aquarius para resolver em grande escala a distribuição de salinidade de forma clara e com forte contraste.

O novo mapa é uma composição das duas primeiras semanas e meia de dados desde 25 de agosto, quando o Aquarius tornou-se operacional. Os valores numéricos representam concentração de sal em partes por mil (gramas de sal por quilograma de água do mar). Cores amarela e vermelha representam áreas de maior salinidade, com azuis e roxos, indicando áreas de menor salinidade. Áreas de cor preta são lacunas nos dados. A salinidade média no mapa é cerca de 35.

O mapa revela características conhecidas da salinidade dos oceano, como a maior salinidade nas regiões subtropicais, salinidade média mais elevada no Oceano Atlântico em comparação com os Oceanos Pacífico e Índico, e menor salinidade em cintos de chuva perto do equador, no norte do Oceano Pacífico e em alguns outros lugares. Estas características estão relacionadas a grandes padrões de precipitação e evaporação sobre o oceano, vazão de rios e circulação oceânica. O Aquarius vai monitorizar a forma como esses recursos mudam com o tempo e estudar a sua ligação às variações climáticas e meteorológicas.

Leia a notícia completa no site da NASA.

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24 de set de 2011

Impacto da ciência nacional

FONTE: Agencia FAPESP
Em comparação com todos os países da América Latina e do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), os cientistas brasileiros são os que conseguem taxas de impacto mais altas com publicações em revistas nacionais.

A análise foi feita por Félix Moya, pesquisador do Departamento de Dinâmica da Ciência e da Inovação do Instituto de Políticas e Bens Públicos de Granada (Espanha), durante o 2º Seminário de Avaliação do Desempenho dos Periódicos Brasileiros no JCR, realizado na última sexta-feira (16/9) na sede da FAPESP, em São Paulo.

O evento foi promovido pelo programa Scientific Electronic Library Online (SciELO), criado em 1997 por meio de uma parceria entre a FAPESP e o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme).

O objetivo do seminário foi discutir a crescente visibilidade conquistada pela ciência brasileira no Journal Citation Reports (JCR), o mais importante índice internacional de citações. A quantidade de periódicos nacionais indexados no JCR cresceu 43% de 2009 para 2010.

Segundo Moya, além do aumento da presença de publicações científicas editadas no Brasil no cenário internacional, houve uma clara melhora do impacto dessas publicações. Prova disso é que, em relação aos países do BRIC e da América Latina, o cientista do Brasil é o que consegue as mais altas taxas de impacto publicando em revistas nacionais.

“O SciELO tem muito a ver com isso, com toda certeza. Não há nenhum país do mundo que tenha um projeto nacional de acesso aberto a suas publicações como esse. Não é tudo o que tem que ser feito no campo da difusão de ciência no Brasil, mas é um passo muito importante e que não foi feito em outros países”, disse à Agência FAPESP.

O fator de impacto em si, no entanto, não deve ser um fim em si mesmo, de acordo com Moya. “A busca de um melhor impacto é importante à medida que ele pode ser considerado um sintoma da melhora da qualidade da pesquisa. Há uma clara correlação entre o impacto e a excelência da pesquisa. A importância disso, portanto, não se limita ao campo científico: o alto impacto da pesquisa tem grande relevância social”, disse.

As análises, no entanto, precisam ser feitas com cuidado, segundo Moya. De acordo com ele, o que não é verdade para um pesquisador pode ser verdade para um país.

“Se alguém diz que cada trabalho que é publicado em uma revista de alto impacto será um trabalho de excelência, está dizendo algo falso. Mas se alguém diz que se os pesquisadores brasileiros tendem a publicar em revistas de mais impacto haverá uma maior quantidade de trabalhos de excelência, isso é verdade”, afirmou.

Segundo ele, é preferível que os pesquisadores se submetam a processos mais rigorosos e competitivos para publicação dos trabalhos, porque isso é o que garante a qualidade desses trabalhos no conjunto da comunidade científica. Mas, ainda que não sejam as preferidas, as revistas de baixo impacto também têm sua função.

“Só deixarão de publicar nas revistas de menores impactos aqueles que podem publicar nas de alto impacto. Para os outros, é preciso ter outras revistas. Os que são publicados nas revistas de baixo impacto não são necessariamente piores. O mesmo pesquisador pode publicar alternativamente em ambos os tipos de revistas. Esse assunto é muito mal analisado e as conclusões são muito mal tiradas quando se olha para casos individuais. É um assunto que deve ser analisado como um sistema”, afirmou.

O sistema complexo de comunicação da ciência, de acordo com o pesquisador espanhol, tem a capacidade para implantar o conhecimento em distintos níveis de revistas. “Nem os pesquisadores nem as revistas ficam imóveis. O que faz falta é que sejam observadas as tendências que devem seguir pesquisadores e revistas”, disse.

Se para o pesquisador é recomendável buscar as revistas de alto impacto, para as revistas é fundamental desenvolver uma política editorial que incremente a colaboração internacional. Para Moya, os editores devem desenvolver atividades de marketing científico.

“Seria interessante, por exemplo, se os editores das revistas brasileiras enviassem a cada um dos cientistas citados em suas revistas um comunicado sobre a citação. Isso geraria um processo de diálogo, fazendo com que os autores dos trabalhos citados conheçam mais a revista, já que são potenciais colaboradores. Esse tipo de prática de marketing científico melhora a visibilidade internacional dos trabalhos”, apontou.

Segundo Moya, quando a revista tem mais colaborações internacionais, os autores aumentam o espectro da procedência de suas citações. “Creio que por isso foi estabelecida a diferença entre a atividade de editor, que se ocupa do nível científico da revista, e a atividade de publisher, que é um editor profissional, que trata de conseguir, no âmbito da pura comunicação, a maior visibilidade possível para a publicação. Nem todas revistas têm um publisher, mas é um papel central no processo”, disse.

Internacionalização da ciência

Durante o evento, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou o interesse da Fundação em acompanhar o desempenho das revistas brasileiras que angariaram mais interesse internacional e aumentaram sua visibilidade.

“Temos interesse em acompanhar o desempenho e desenvolvimento dessas coleções de revistas para saber que ações poderemos realizar no período subsequente a fim de intensificar esses progressos. Por outro lado, esperamos que o debate ajude a diagnosticar os gargalos e problemas a fim de buscarmos soluções para eles”, disse.

Brito Cruz destacou também a importância da internacionalização da ciência brasileira proporcionada pela consolidação das publicações científicas. De acordo com ele, o progresso da ciência ocorre de forma mais intensa quando há diálogo entre os cientistas de várias partes do mundo.

“Quando medimos o impacto das publicações, queremos avaliar a comunicação. Publicar um artigo científico é um ato de comunicação. É uma forma de comunicar aos outros as descobertas e submetê-las à crítica. Gostaria que a ciência feita no Brasil conversasse mais com o mundo. Quanto mais as pessoas inteligentes daqui dialogarem com gente inteligente no mundo, mais a ciência brasileira irá progredir”, analisou.

De acordo com Abel Packer, coordenador operacional do SciELO, entre 2007 e 2010 houve um crescimento de 17% dos periódicos publicados pelo programa. A média de crescimento, nesse período, foi de 5% ao ano. Por outro lado, a presença brasileira aumentou quatro vezes entre 2007 e 2008 em uma das principais bases de dados internacionais – a Web of Science-ISI (WoS), na qual se fundamenta o JCR.

“O ingresso de mais periódicos brasileiros na WoS e outras bases de dados importantes contribuíram para que o Brasil subisse para a 13ª posição no ranking mundial de produção científica. Nessa produção, contando artigos e revisões, o peso dos periódicos brasileiros é de 33% do total”, disse Packer.

Com 33% o Brasil tem uma porcentagem grande de artigos com fator de impacto publicados em periódicos nacionais em relação a outros países como África do Sul (21%), Índia (17%), China (16%), México (10%) e Espanha (10%).

“No fator de impacto o Brasil não está mal em termos de comparação entre periódicos nacionais. Cerca de 10% dos periódicos têm fator de impacto acima da média em suas respectivas áreas. Nosso desafio é subir para 15% ou 20% dos periódicos com fator de impacto acima da mediana”, disse Packer.

Rogério Meneghini, coordenador científico do programa SciELO, destacou que a ciência é um processo cíclico. Segundo ele, a produção científica propriamente dita não é o último passo do processo, do qual fazem parte também a comunicação científica e a discussão informal com os pares. “Publicar é um feito complexo, muito importante, do processo de fazer ciência”, afirmou.

De acordo com Meneghini, ao contrário dos países desenvolvidos, onde o número de periódicos está relacionado diretamente aos interesses comerciais, nos países emergentes o número de publicações tem conexão com a necessidade de dar vazão à produção científica.

“No momento da publicação há duas rotas possíveis, a nacional e a internacional. O que estamos discutindo nos últimos anos – e que seguiremos discutindo – é o quanto a publicação brasileira começa a ganhar overlap em relação à produção internacional. Ou seja, em que medida aquilo que publicamos aqui passa a fazer parte do contexto internacional de publicações científicas”, disse.

15 de set de 2011

Corte de custos na BP levaram a acidente no Golfo

Fonte:Folha de Sao Paulo, 14/09/2011

A cultura empresarial de reduzir custos de produção sem avaliar os riscos implicados em cada decisão foi o pano de fundo do maior derramamento marinho de petróleo da história. Esse foi o tom do relatório final do governo dos EUA sobre as investigações do acidente de abril de 2010 no golfo do México, que responsabiliza a companhia BP e suas parceiras pelo desastre.

O documento, divulgado hoje pelo Boemre, a agência reguladora de exploração oceânica de petróleo do país, enumera os problemas que levaram ao desastre com detalhamento sem precedentes, distribuindo as culpas pela sequência de erros que culminaram no desastre.

O acidente, diz o relatório, "foi resultado de um gerenciamento de riscos pobre, mudanças de planos feitas em cima da hora, falha em respeitar e reagir a indicadores críticos, controle inadequado do poço e treinamento insuficiente para situações de emergência".

A junta de investigação responsável pelo documento confirmou que a causa central do desastre foi uma barreira de cimento mal construída em um dos tubos que reforçavam a estrutura do poço. A explosão que matou 11 técnicos e desencadeou o vazamento de quase 5 milhões de barris de petróleo, porém, não teria ocorrido sem o acúmulo de procedimentos negligenciados pela BP, pela Transocean (empresa dona do poço) e pela Halliburton (terceirizada que cimentou a tubulação).

Um dos primeiros problemas foi a falha de técnicos em interpretar anomalias reveladas num teste de avaliação do estado do poço. Este erro só foi notado duas horas depois, tempo durante o qual medidas de emergência poderiam ter evitado o acidente. Segundo o relatório, além de dar treinamento ruim aos técnicos, a empresa tinha o hábito de delegar aos funcionários mais de uma tarefa ao mesmo tempo. Os responsáveis pelo procedimento de segurança também estavam realizando manutenção em parte dos equipamentos no mesmo dia.

"As decisões da BP para cortar custos ou economizar tempo, sem considerar contingência ou formas de mitigação, contribuíram para a explosão", diz o relatório. Segundo o documento, alterações no projeto do poço que baratearam sua construção também são, em parte, responsáveis pelo acumulo de gás na estrutura onde ocorreu o acidente.

CULPA TERCEIRIZADA

A BP divulgou hoje um comunicado de imprensa afirmando que "concorda" com as conclusões do relatório, destacando o fato de que o documento também cita a Transocean e a Halliburton como culpadas.

"Continuamos a encorajar as outras partes a reconhecerem suas responsabilidades no acidente e a fazerem mudanças que ajudem a prevenir acidentes similares no futuro", afirma a empresa britânica, que move um processo contra a Transocean.

A Halliburton, que entrou com um processo contra a BP no início deste mês, afirma que o problema com a barreira de cimento ocorreu em razão de a empresa operadora do poço omitir informações técnicas importantes sobre o local da obra.

A Transocean, que completou sua própria investigação interna, divulgou em abril um relatório atribuindo à BP a culpa por adotar procedimentos arriscados no poço.

O relacionamento ruim entre as empresas, porém, não foi apenas consequência, mas causa do acidente, afirma o relatório do governo: "A falha da BP e da Transocean em garantir uma abordagem comum e integrada para controle do poço foi possivelmente uma causa a contribuir para a explosão".

15 de jul de 2011

Assista ao vivo os tubarões do "Ocean Voyager"



Live Videos by Ustream


De agora até 07 de agosto, você pode assistir ao vivo um dos maiores tanques de tubarões do mundo! A webcam acima foi instalada no tanque "Ocean Voyager" (Viajante dos Oceanos) no Georgia Aquarium em Atlanta (EUA). O tanque Voyager foi projetado para tubarões-baleia e contém nove e meia piscinas olímpicas. O tanque possui sete tipos diferentes de tubarões, incluindo um enorme tubarões-baleia e vários tubarões-tigre. Além dos tubarões, o tanque também possui várias outras espécies de peixes e quatro raias, including raias manta. Assista a webcam durante as próximas semanas para ver os animais sendo alimentados diáriamente e um bate-papo ao vivo com biólogos mergulhando no tanque.
Fonte: Discovery Channel

12 de jul de 2011

Oceanos afetados pelo clima

Fonte: Agência FAPESP
Os oceanos têm papel fundamental no cenário global de mudanças climáticas. São responsáveis por consumir cerca de um terço de todas as emissões de carbono promovidas pela ação humana, reduzindo o dióxido de carbono atmosférico que está associado ao aquecimento do planeta.
Mas por quanto tempo os oceanos continuarão a sequestrar o carbono antrópico nos níveis atuais é uma grande incógnita. Estudos feitos chegaram a resultados conflitantes sobre em que níveis as alterações no clima afetam esse sequestro.

Uma nova pesquisa, cujos resultados foram publicados neste domingo na revista Nature Geoscience, fornece evidências observacionais para concluir que as mudanças climáticas estão afetando negativamente a absorção de carbono pelos oceanos.

“A conclusão é que os oceanos estão consumindo menos carbono justamente por causa do aquecimento promovido pelo próprio carbono na atmosfera”, disse Galen McKinley, da Universidade de Wisconsin-Madison, um dos autores do artigo.

O novo estudo difere de anteriores pela extensão de dados tanto em relação ao espaço como ao tempo. Os pesquisadores não se limitaram a determinadas áreas e extrapolaram os resultados para regiões maiores, mas utilizaram dados da maior parte do Atlântico Norte e do período de 1981 a 2009.
Com a grande amostragem, os cientistas identificaram um elevado grau de variações naturais que frequentemente mascara padrões de mudanças a longo prazo, o que pode explicar por que estudos anteriores apresentaram resultados antagônicos.

“Como os oceanos variam muito, precisamos de dados de pelo menos 25 anos para realmente identificar os efeitos do acúmulo de carbono na atmosfera. Essa é uma questão muito importante: o que é variação natural e o que é mudança climática”, disse McKinley.

Nas últimas três décadas, o aumento no dióxido de carbono atmosférico tem sido largamente equilibrado pelo aumento correspondente no dióxido de carbono dissolvido na água do mar.

Mas o novo estudo mostra que as temperaturas mais elevadas estão diminuindo a absorção de carbono em uma grande área no Atlântico Norte subtropical. A água mais quente não é capaz de manter tanto dióxido de carbono como a mais fria.

Os pesquisadores destacam a importância de se ampliar os dados para utilização em novos estudos e a expansão da análise para outros oceanos.

O artigo Convergence of atmospheric and North Atlantic carbon dioxide trends on multidecadal timescales (doi: 10.1038/ngeo1193), de Galen McKinley e outros, pode ser lido por assinantes da Nature Geoscience em www.nature.com/ngeo.

23 de mai de 2011

Top 30 Instituições de Pesquisa em Oceanografia no Mundo (2000-2010)

O ScienceWatch.com publicou recentemente a lista das top 30 instituições de pesquisa oceanográfica no mundo com base na análise de citações por artigo para artigos mais citados publicados de 2000 a 2010.

A tabela abaixo apresenta as top 30 universidades e outras organizações de pesquisa oceanográfica baseada em citações por artigo para artigos altamente citados.

Artigos altamente citados são definidos como aqueles classificados no top 1% das citações para o seu campo e ano da publicação.

387 artigos em oceanografia foram identificados como altamente citados durante o período de 2000 a 2010, e estes foram citados um total de 35.539 vezes (média de 91,83).

Somente as instituições e países com 10 ou mais artigos altamente citados foram incluídas na lista.

Rank Organização/País Artigos Altamente Citados Citações Citações por Artigo
1 University of Otago, Nova Zelândia 11 1,628 148.00
2 MIT, Estados Unidos 12 1,729 144.08
3 NOAA, Estados Unidos 23 3,092 134.43
4 Rutgers State University, Estados Unidos 10 1,268 126.80
5 University of Washington, Estados Unidos 21 2,662 126.76
6 University of East Anglia, Inglaterra 11 1,367 124.27
7 National Center for Atmospheric Research, Estados Unidos 10 1,147 114.70
8 Plymouth Marine Laboratory, Inglaterra 15 1,699 113.27
9 Princeton University, Estados Unidos 10 1,097 109.70
10 University of Southern California, Estados Unidos 10 1,073 107.30
11 University of California Santa Barbara, Estados Unidos 18 1,895 105.28
12 University of Tokyo, Japão 10 1,018 101.80
13 National Institute of Water & Atmospheric Research, Nova Zelândia 16 1,604 100.25
14 University of Hawaii, Estados Unidos 20 1,991 99.55
15 NASA, Estados Unidos 11 1,086 98.73
16 Alfred Wegener Institute for Polar & Marine Research, Alemanha 18 1,757 97.61
17 Woods Hole Oceanographic Institute, Estados Unidos 43 4,179 97.19
18 University of California Santa Cruz, Estados Unidos 11 1,053 95.73
19 CSIRO, Australia 21 2,003 95.38
20 University of Tasmania, Australia 12 1,077 89.75
21 University of California San Diego, Estados Unidos 23 2,020 87.83
22 Oregon State University, Estados Unidos 12 1,009 84.08
23 University of Miami, Estados Unidos 20 1,527 76.35
24 Texas A&M University, Estados Unidos 10 751 75.10
25 Virginia Institute of Marine Science, Estados Unidos 19 1,301 68.47
26 Fisheries & Oceans Canada, Canada 10 638 63.80
27 Dalhousie University, Canada 11 563 51.18
28 CSIC, Espanha 16 667 41.69
29 Ghent University, Bélgica 10 384 38.40
30 Leibniz Institute of Marine Sciences (IFM GEOMAR), Alemanha 10 244 24.40
Fonte Thomson Reuters Essential Science IndicatorsSM database, 01 de Janeiro de 2000 a 31 de Dezembro de 2010.
  

1 de mar de 2011

Seventh International Conference on Marine Bioinvasions


The Seventh International Conference on Marine Bioinvasions will be held at the CosmoCaixa Science Museum (Barcelona, Spain) from 23-25 August 2011.

Entitled ‘Advances and Gaps in Understanding Marine Bioinvasions’, the conference will encompass the following themes:
  • Development and Tests of Invasion Theory
  • Drivers of Invasibility
  • Patterns of invasion and spread at local, regional, and global scales
  • Impact of bioinvasions on ecosystem structure and function, including the biology and ecology of invasive species
  • New tools for identification, monitoring, risk assessment, and management

25 de fev de 2011

9th International Temperate Reefs Symposium

9th International Temperate Reefs Symposium
Hosted by the University of Plymouth and the Marine Biological Association of the United Kingdom


We are now inviting oral and poster presentations for the symposium. In addition to open sessions on all aspects of temperate reefs, the following provisional themes are being considered: propagules to production, biodiversity and ecosystem functioning, management and conservation, artificial structures, contribution of reef research to general ecological theory, coldwater coral reefs, deep-sea reefs, macro-ecology and modelling, phylogeography and biogeography. Subject to demand workshops will be organised on the afternoon of 29th June focussing on current methodological and conservation challenges. Other suggestions are welcomed.

Excursion: We are preparing an excursion for Friday 1st July. This will include: historical shorelines frequented by Darwin and Gosse, boat excursion along the River Dart from Dartmouth to Totnes and hopefully an opportunity to sample local wine (yes we have some!), gin, beer and cheese. Please register for this excursion when you complete you ITRS registration.

Diving and Fishing: if you are interested in finding out about opportunities for recreational SCUBA diving or boat fishing near to Plymouth please contact the conference secretariat.

We have also arranged a satellite advanced statistical course after ITRS 2011.
5 day PERMANOVA+ course 4-8th July 2011, Plymouth, UK for details of a special 25% discount for ITRS participants download the programme and workshop information.

Please download the conference flyer for display at your institution.

23 de fev de 2011

15th International Symposium on Toxicity Assessment (ISTA 15)


Building on the great success of the past fourteen International Symposiums on Toxicity Assessment since 1983, the fifteenth meeting on the International Symposium on Toxicity Assessment (ISTA 15) will be held at the City University of Hong Kong, Hong Kong, from 3 to 8 July 2011.

The symposium provides a platform for scientists to discuss the forefront development on current issues in regulatory toxicology, “omics” technologies and bioinformatics in (eco)toxicology, toxic mechanisms of chemicals of global and emerging concerns, as well as the risk of these synthetic and natural chemicals pose on public health and environmental safety. Current advances in the fields of toxicity assessment, biomarkers and bioindicators, environmental chemistry and green chemistry, remediation and mitigation technologies will also be covered.

The ISTA15 is a unique opportunity to bring together researchers, professionals, administrators, regulators, NGOs and policy-makers to exchange ideas, identify research and resource needs for the better management of ecosystem health and minimize the risk of public health.

Young researchers and students are strongly encouraged to participate in the ISTA 15 meeting which provides an excellent opportunity for networking and career preparation.

Hong Kong is a vibrant city, a unique fusion of Western and Eastern cultures where the old and the new lives side by side. The CityU is an ideal venue for active scientific exchange and social activities. Coming to Hong Kong is easy by flight from all over the world.

22 de fev de 2011

Pesquisadores do INPE participam de expedição oceanográfica internacional

Fonte: Agência FAPESP 22/2/2011

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está participando de uma expedição oceanográfica com o objetivo de coletar dados para estudos sobre a cor do oceano e a existência de aerossóis que podem influir no ciclo do carbono e nos ecossistemas marinhos.

O cruzeiro oceanográfico partiu da Cidade do Cabo, na África do Sul, em 20 de fevereiro, e percorrerá o Atlântico Sul até Valparaíso, no Chile, com chegada prevista para o dia 15 de março.

O navio R/V Melville pertence ao Instituto de Oceanografia Scripps, dos Estados Unidos, e leva também pesquisadores da França e Argentina, além do Brasil.

O Inpe está representado na expedição pelo pesquisador Milton Kample, que irá coletar dados para o ajuste dos modelos de sensoriamento remoto da cor do oceano, que são baseados em informações de satélites.

“O imageamento por satélite tem indicado a presença de grandes quantidades de aerossóis e de carbono orgânico e inorgânico particulado na região sul do oceano Atlântico. No entanto, essas concentrações ainda não foram confirmadas com dados de campo. Precisamos verificar, por exemplo, se não se trata do efeito causado pela arrebentação das ondas em alto mar”, disse Kmaple.

Também serão coletados dados, por meio de medições radiométricas e análises de amostras de água, para o mapeamento por satélite de grupos funcionais fitoplanctônicos.

15 de fev de 2011

Primer Congreso Iberoamericano de Gestión Integrada de Áreas Litorales (GIAL)

Primer Congreso Iberoamericano de Gestión Integrada de Áreas Litorales (GIAL)
Cádiz (España) los días 25, 26 y 27 de enero de 2012


Los dias 25, 26 y 27 de enero de 2012 se celebrará en la ciudad de Cádiz (España) el Primer Congreso Iberoamericano de Gestión Integrada de Áreas Litorales (GIAL)1, organizado por la Universidad de Cádiz (UCA) y la Red Iberoamericana de Manejo Costero Integrado (IBERMAR).

Los representantes de más de 90 instituciones, públicas y privadas, pertenecientes a 13 países Iberoamericanos, integradas en la Red Ibermar (CYTED), se suman a esta convocatoria, aprovechando la oportunidad que supone la comunidad iberoamericana de naciones como marco de encuentro.

La organización de este evento en 2012 coincidirá con la conmemoración del Bicentenario de la Constitución Española de 1812, así como a la celebración de la Cumbre Iberoamericana de Jefes de Estado y de Gobierno, en un escenario, la ciudad de Cádiz, nombrado para ese año Capital Cultural Iberoamericana.

Asimismo, los días de celebración de este Congreso, coincidirán con la organización del III Simposio en Ciencias Marinas y el XVI Seminario Ibérico de Química Marina.

Poco a poco se irá ampliando la información al respecto. En el apartado Participación puede consultar el calendario orientativo de publicación de dicha información, así como las circulares informativas que se irán poniendo a su disposición según las fechas previstas. Puede solicitar recibir dichos avances a través del correo electrónico del congreso: congresoGIAL.iberoamerica@uca.es.

En la web www.gestioncostera.es/congresoGIAL puede consultar las circulares informativas que se irán poniendo a su disposición según las fechas previstas. También puede solicitar recibir dichos avances a través del correo electrónico del congreso: congresoGIAL.iberoamerica@uca.es.

15 de jan de 2011

43rd International Liege Colloquium on Ocean Dynamics Tracers of physical and biogeochemical processes


43rd International Liege Colloquium on Ocean Dynamics Tracers of physical and biogeochemical processes, past changes and ongoing anthropogenic impacts
2 - 6 May 2011

Web site: http://modb.oce.ulg.ac.be/colloquium/

This Colloquium will investigate new developments and insights related to tracers and proxies (from temperature and salinity to gases and isotopes) with a particular attention on the use of TEI as tracers.

The deadline for the Abstracts sending has been extended until the 31st January 2011.

You will find here attached all the usefull details concerning the Colloquium and on the web site http://modb.oce.ulg.ac.be/colloquium/.