22 de nov de 2012

Oceanógrafo defende controle ambiental na área de exploração do pré-sal

FONTE: JC e-mail 4624, de 14 de Novembro de 2012

A sustentabilidade dos oceanos é um dos principais temas de debate do 5º Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO'2012), aberto ontem (13) à noite, no Rio de Janeiro.

O presidente do congresso, Carlos Leandro da Silva Júnior, vice-presidente da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano), defendeu controle ambiental na área de exploração do pré-sal. "A gente tem visto aumento da produção de petróleo e a discussão no Congresso em torno da divisão dos royalties do petróleo, mas ninguém bota a questão ambiental no âmbito do pré-sal. Ou seja: o que está se fazendo na realidade para um bom monitoramento ambiental da região que ninguém conhece?".

Leandro enfatizou a necessidade de se evitar o que ocorreu na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Ali, disse, os trabalhos de exploração e perfuração começaram a ser efetuados antes da realização de estudos ambientais. Com isso, perderam-se as referências de como era o ambiente naquele local, indicou o presidente do CBO'2012.

Ele ressaltou a importância da linha base do processo de conhecimento, para evitar consequências negativas no futuro. "Como você vai preservar uma coisa que não conhece?", indagou, para acrescentar: "A gente acha que antes de começar a produção e os investimentos, a preocupação deveria ser a realização de estudos em oceanografia para desenvolver o conhecimento na região, ter o mapeamento de tudo da área de biologia, de pesca, química, sísmica, para depois poder furar". Prejuízos à flora e à fauna marinha serão abordados. "Não se pode mitigar alguma coisa sem conhecer antes", reiterou.

Outra preocupação diz respeito à questão das energias renováveis nos oceanos. Isso envolve, segundo o presidente do congresso, a geração de energia a partir das ondas e a energia eólica no mar. "São temas que têm de ser discutidos". Os corais encontrados em águas profundas e os impactos das mudanças climáticas nos corais são outros temas que serão debatidos durante o encontro, que se estenderá até o próximo dia 16.

Carlos Leandro salientou, ainda, a questão da gestão e da segurança dos portos. "Em um país como o nosso, que precisa crescer, porto é fundamental do ponto de vista de exportação e importação. O Brasil precisa ter bons portos, com segurança operacional, com conhecimento das áreas do entorno". É preciso que os portos estejam preparados para grandes acidentes, com planos de emergência para as áreas, defendeu.

O monitoramento e a mitigação de vazamentos de óleo no mar serão examinados durante o congresso, para evitar que incidentes possam vir a afetar, inclusive, outros países, alertou o vice-presidente da Aoceano. É preciso, reforçou, que as pessoas atentem para o fato que o Brasil tem oito mil quilômetros de costa e vejam a importância das espécies do oceano profundo e não somente das praias. "Tem que ver a importância do oceano no seu aspecto mais amplo".

Além de workshops, visando à elaboração de propostas que serão encaminhadas à sociedade, o congresso contará com palestras de especialistas e apresentação de 1.360 trabalhos científicos. O evento conta com apoio da Marinha, da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Está prevista palestra sobre a importância da oceanografia para a estratégia da Marinha. Durante o congresso, serão comemorados os 35 anos do curso de oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O CBO'2012 objetiva apresentar novos conhecimentos por meio de pesquisas técnicas e científicas na área dos oceanos. Esta é a primeira vez que o evento é promovido no Rio de Janeiro, estado considerado pela Aoceano uma referência no Brasil no que tange a questões no mar.

Em paralelo, ocorrerá a 7ª Feira Técnico-Científica Brasil Oceano, para apresentação, promoção e comercialização de novos produtos, serviços e tecnologias. Leandro revelou que a feira pretende estimular alunos do segundo grau de escolas públicas e privadas a conhecerem equipamentos usados em oceanografia, entre os quais um radar que mede correntes remotamente. A feira destaca também projetos ambientais desenvolvidos por organizações não governamentais (ONGs). "As ONGs não podem ficar fora do processo, porque além de formadoras de opinião, elas são uma forma de pressionar o setor produtivo a ter políticas ambientais".
(Agência Brasil)

Marinha, Exército e Aeronáutica fazem operação conjunta para proteger Amazônia Azul

Fonte: JC e-mail 4625, de 19 de Novembro de 2012

Dez mil homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica estarão em alerta máximo até o próximo dia 30, visando à proteção da chamada Amazônia Azul, como é conhecida a Zona Econômica Exclusiva (ZEE) do Brasil no mar.

Eles estarão participando da Operação Atlântico 3, sob comando do almirante-de-esquadra Gilberto Max Hirschfeld e coordenação do Ministério da Defesa.

O objetivo é simular possíveis ataques estrangeiros a pontos estratégicos ao longo da costa, desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro, incluindo a infraestrutura petrolífera, principalmente contra os campos do pré-sal, usinas hidrelétricas e nucleares, portos e refinarias. Este ano o comando do teatro de operações é da Marinha, que empregará sete navios, dois submarinos e seis helicópteros. O Exército participará com cerca de 200 viaturas de vários usos e a Aeronáutica disponibilizará 15 aeronaves, incluindo quatro aviões de ataque.

A Operação Atlântico 3 será acompanhada a partir da Escola Naval do Rio de Janeiro por um Estado-Maior, chefiado pelo contra-almirante José Renato de Oliveira. Dali serão dadas as ordens de ataque e defesa do exercício.

"A operação tem importância pela integração das três forças e para garantir a proteção da Amazônia Azul, onde estão as plataformas do pré-sal. Serão simulados ataques à Reduc [Refinaria Duque de Caxias, da Petrobras] e à estação de tratamento de Guandu [onde é captada a água da região metropolitana do Rio]", disse o contra-almirante.

O militar explicou que 95% das riquezas que o País importa ou exporta passam pelo mar, o que justifica garantir um domínio seguro das rotas na região. Um dos submarinos será usado como arma de apoio a essas linhas de comunicação, enquanto o outro simulará um ataque inimigo, tudo coordenado pelo Estado-Maior. "O submarino é uma arma que tem como principal característica a discrição, sendo essencial na guerra naval. O principal projeto da Marinha hoje é a construção do submarino nuclear, que deverá estar navegando por volta de 2025."

A Amazônia Azul tem 3,6 milhões de quilômetros quadrados e se estende por 200 milhas náuticas, cerca de 370 quilômetros, a partir da costa. Além dos campos petrolíferos do pré-sal, o fundo do oceano também abriga inúmeros materiais e metais preciosos, que poderão ser futuramente explorados pelo País.
(Agência Brasil)

29 de out de 2012

Dilma anuncia plano para tornar pesca e aquicultura atividades "centrais" no País

FONTE: Jornal da Ciencia

As atividades ligadas à pesca e à aquicultura serão "centrais" para o País, tanto no âmbito econômico como no social. É o que garantiu a presidente Dilma Rousseff ontem (25), ao anunciar o Plano Safra da Pesca e Aquicultura. A meta é ampliar a produção nacional para dois milhões de toneladas de pescado ao ano até 2014.

"Essa atividade, que era lateral, será central do nosso país", garantiu a presidente. Além de desonerar a cadeia produtiva, o governo pretende, com o plano, investir R$ 4,1 bilhões até 2014 em financiamentos para a produção pesqueira, por meio de diversos programas.

Segundo Dilma, o Brasil sempre teve condições de ter atividades de pesca e aquicultura mais fortes. Agora, acrescentou, é hora de o País transformar seu potencial - o maior do mundo - em atividades sociais e econômicas, além de estimular melhores hábitos alimentares para o brasileiro.

"Vamos fortalecer a atividade pesqueira, transformando-a em instrumento de crescimento econômico do País, aumentando nossos investimentos nesse que é, sem dúvida, junto com a agricultura, um dos grandes setores que caracterizarão o século 21: o fornecimento de proteína, para gerar inclusão social e melhoria da qualidade do trabalho", explicou a presidenta.

Na solenidade de lançamento do plano, Dilma apresentou dados que mostram o potencial do País para as atividades de pesca e aquicultura. "Temos mais de oito mil quilômetros de costa marítima, 13% da reserva mundial de água doce e um mar interno feito de reservatórios e açudes em praticamente todas as nossas bacias hidrográficas. É como se fosse o acesso a um grande mar de água doce", explicou.

A presidente, no entanto, lembrou que a realidade econômica e social da atividade está distante do potencial. "No ranking, ocupamos a 23ª posição na pesca e a 17ª na aquicultura. Esses números dão o tamanho do nosso desafio", argumentou. Com o plano anunciado, o governo pretende tornar o Brasil, até 2020, "um exportador do tamanho do seu potencial", ampliando a renda e o trabalho de milhões de brasileiros.

Para atingir o objetivo, o governo pretende, entre diversas frentes de ação, ajudar os produtores a reduzir o desperdício no manuseio. Só com essa frente, o governo quer aumentar em 40% a renda dos profissionais. A ampliação das ações governamentais abrangerá, também, aprimoramento das técnicas de cultivo e manuseio, modernização de equipamentos, oferta de assistência técnica, investimento em pesquisa e mais estrutura à cadeia produtiva.

Linhas de crédito para pequenos pescadores e aquicultores serão criadas para que os produtores possam investir em novas estruturas, equipamentos e barcos. A previsão é que 330 mil famílias sejam beneficiadas com mais crédito, juros menores e prazos mais longos para o financiamento.

O lançamento do plano contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS) e de representantes do setor. Os presidentes da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), Abraão Lincoln, e da Associação Brasileira de Criadores de Tilápia, Ricardo Neukirchner, elogiaram a iniciativa.

Também participaram do evento os ministros Marcelo Crivella, da Pesca e Aquicultura; Gleisi Hoffmann, da Casa Civil; Alexandre Padilha, da Saúde; Aloizio Mercadante, da Educação; Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
(Agência Brasil)

Uma contribuição para as Ciências do Mar, artigo de Carlos Eduardo Rezende

FONTE: Jornal da Ciencia

Carlos Eduardo de Rezende é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, membro do INCT Transferência de Material na Interface Continente-Oceano e coordenador do Regional NODE for Latin America - Land Interaction Coastal Zones (LOICZ). Artigo enviado ao JC Email pelo autor.

Inicialmente, gostaria de deixar claro que reconheço os inúmeros esforços que têm sido empreendidos pelas agências federais e estaduais de fomento a pesquisa e neste sentido o meu texto é uma contribuição discreta para o avanço das Ciências do Mar. Ressalto que os elementos motivadores para redigir esta pequena nota foram estimulados por situações recentes em nível internacional (Simpósio sobre Acidificação dos Oceanos) e nacional (Reunião na Academia Brasileira de Ciências, Edição Especial do Brazilian Journal of Biology e a aquisição de novo Navio Oceanográfico).

Nos Estados Unidos da América, entre 24 e 27 de setembro, aconteceu em Monterey- Califórnia o 3º Simpósio sobre Acidificação dos Oceanos, onde atuei no Comitê Organizador Internacional (http://www.highco2-iii.org/main.cfm?cid=2259) e também apresentei trabalho científico. O primeiro simpósio aconteceu em Paris 2004 com a participação de 125 pesquisadores e 24 palestrantes; em Mônaco 2008 com 227 participantes e 44 palestrantes; em Monterey 2012 tivemos a participação de 542 pesquisadores e 146 palestrantes, sendo 40% composto por pesquisadoras. Os trabalhos enviados foram provenientes de 37 países com destaque para Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Japão, Noruega, Suécia, Índia, França e ainda tivemos muitos outros com participação discreta ou muito discreta como foi o caso do nosso país.

Os principais temas apresentados durante o simpósio podem ser resumidos, a saber: respostas de organismos, efeitos nos ecossistemas, química, observações e modelagem, métodos e modelos de estudos, sócio-economia, estudos paleoclimáticos e assuntos gerais. Os três primeiros itens corresponderam aproximadamente a 85% dos tópicos das pesquisas apresentadas durante o simpósio onde o agente de estresse ambiental é o aumento de dióxido de carbono sozinho ou combinado com aumento de temperatura ou limitação de luz ou de elementos essenciais como ferro, fósforo e nitrogênio. Enfim, a ciência nesta área do conhecimento transita em pontos fundamentais da estrutura e funcionamento dos ecossistemas marinhos diante do aumento do dióxido de carbono na atmosfera, seguido da acidificação dos oceanos.

O próximo evento será em 2016 e esperamos que o Brasil exiba uma participação mais expressiva do que a observada até o momento, principalmente porque possuímos uma longa extensão da nossa Plataforma Continental rica em carbonato e importantes ecossistemas (ex.: Abrolhos) que certamente estarão sendo afetados por estas transformações no meio ambiente marinho.

No Brasil, nos dias 2 e 3 de outubro, tivemos a realização de uma reunião científica na Academia Brasileira de Ciências, sob coordenação do professor Luiz Drude de Lacerda, onde foram tratadas as Inter-relações entre o Oceano e o Continente no Cenário de Mudanças Globais. Neste evento, contamos com palestras de vários pesquisadores de reconhecida competência na área de Ciências do Mar provenientes de várias instituições brasileiras. Outro ponto que também considero relevante foi a publicação de uma edição especial da revista Brazilian Journal of Biology sobre Biogeoquímica do Brasil e as Mudanças Climáticas (Artigos Disponíveis em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1519-698420120004&lng=en&nrm=iso). Aliás, esforços como estes, ou seja, reuniões temáticas seguidas de publicações científicas deveriam ser estimuladas pelas nossas agências de fomento, seja em nível federal ou estadual, pois geram inúmeros desdobramentos em cooperações científicas.

É realmente muito estimulante tratar intensivamente sobre o estado da arte, avanços da ciência nacional, identificar e propor novas abordagens sobre temas na fronteira do conhecimento científico. Vivemos um momento profícuo da Ciência Nacional, e eventos como estes podem gerar o diferencial desejado para o nosso país, ou seja, pesquisas com maior impacto científico e desenvolvimento de marcos conceituais.

O último ponto que destaco, neste momento, foi a divulgação da aquisição de um novo Navio Oceanográfico, totalmente equipado para estudos no mar, financiado pela Finep (http://www.finep.gov.br/imprensa/noticia.asp?cod_noticia=3030) por meio de acordo interministerial. Certamente, este é um desejo de toda comunidade que atua nas Ciências do Mar, e tenho certeza que este é um passo importante, mas precisamos de outras aquisições para atuar ao longo dos 8500 km de costa e 4,4 x 106 km2 que compõem o Mar Territorial Brasileiro, Zona Econômica Exclusive e a Extensão da Plataforma Continental Brasileira.

Em síntese, seria oportuno que tivéssemos programas científicos voltados para a saúde dos oceanos nas áreas de acidificação, zonas mortas, química marinha (ex.: marcadores paleoclimáticos e marcadores moleculares, poluentes orgânicos e inorgânicos) e metagenômica. Assim, aumentaríamos substancialmente as informações precisas sobre o Atlântico Sul e a capacidade brasileira de compreender e prever os impactos das mudanças climáticas nos ciclos biogeoquímicos e biológicos. Estas informações, sobretudo, constituiriam uma base fundamental para a elaboração de mapas temáticos sobre as mudanças químicas, geoquímicas e biogeoquímicas, eutrofização, acidificação e zonas mortas no Atlântico Sul. Isto certamente ampliará a nossa capacidade de gerenciamento dos recursos naturais nas áreas de jurisdição brasileira, principalmente porque precisamos ampliar rapidamente as áreas marinhas protegidas.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

28 de out de 2012

Produção de alimentos Marinhos no Brasil quase Triplica em 10 anos, Aquacultura

Uma análise rápida que fiz com os dados do The Little Green Data Book 2012 (http://data.worldbank.org/products/data-books/little-data-book/little-green-data-book) comparando a produção pesqueira e de aquacultura no Brasil entre 1990 e 2010.

A produção de alimentos marinhos no Brasil quase que triplicou em 10 anos. A Aquacultura é hoje pesponsável por mais de um quarto da produção de alimentos marinhos no Brasil.


24 de out de 2012

Recife inaugura o primeiro museu oceanográfico do Norte e Nordeste

Espaço abrigará 34 mil amostras recolhidas nas últimas seis décadas
Fonte: Bruno Deiro - O Estado de S.Paulo

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) inaugura nesta terça-feira, 23, no Recife, o primeiro museu oceanográfico das Regiões Norte e Nordeste do País, com 34 mil amostras recolhidas nas últimas seis décadas. As pesquisas na região têm sido impulsionadas pela recente exploração de áreas oceânicas mais profundas, que permitiram a descoberta de 40 novas espécies de crustáceos e moluscos nos últimos três anos.

A nova fase é resultado de um trabalho de avaliação de impacto nas áreas de exploração de petróleo no local. Financiado pela Petrobrás, o museu obteve ajuda técnica para analisar ecossistemas a até 900 metros.

"Até 2009, nosso alcance era de, no máximo, 200 metros. Com este trabalho, estamos descobrindo novas espécies que só existem nesta localidade", afirma a pesquisadora Sigrid Leitão, que coordena o projeto.

O processo de identificação dos animais, explica ela, tem sido facilitado com a introdução de dois aparelhos de escâner que mapeiam o material recolhido - o zooscan para as espécies maiores (em geral, medem 0,5 a 1 milímetro) e o flowcan para as mais microscópicas.

Preservação

O museu é apenas o quarto do gênero no País - os outros estão em São Paulo, no Rio e no Rio Grande do Sul. "Nosso acervo reúne material recolhido por várias expedições que passaram por aqui. Temos até mesmo espécies que vieram da Argentina", afirma Sigrid.

Segundo ela, o local vai possibilitar melhores condições de preservação das amostras. "Esse material vinha sendo mal armazenado, ficava em lugares úmidos e estragava com frequência. Agora, ficarão protegidos em armários condicionados", diz a pesquisadora.

23 de out de 2012

Novo navio oceanográfico apoiará pesquisas minerais do Brasil em 2013

A embarcação está sendo produzida em Cingapura e trará informações sobre a geologia do fundo do mar

por Vladimir Platonow/Agência Brasil Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE

Exemplo de navio oceanográfico em Cartagena, Murcia, na Espanha
O Brasil contará, a partir do próximo ano, com um dos mais modernos navios de pesquisas oceanográficas do mundo. Com a embarcação, avaliada em R$ 162 milhões, será possível aumentar o volume de informações sobre recursos minerais e biológicos na chamada Amazônia Azul, como é conhecida a zona econômica exclusiva do mar brasileiro, com 3,6 milhões de quilômetros quadrados. Com isso, o país contará com três navios oceanográficos de grande porte.

O valor do navio, que está sendo construído em Cingapura, foi dividido entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Petrobras, a Marinha e a Vale. O acordo de cooperação foi assinado nessa segunda-feira (22) e contou com a presença do ministro Marco Antonio Raupp.

“É uma plataforma científica e tecnológica importante para fazer levantamento, explorar, ter conhecimento sobre o mar e a geologia do fundo do mar. Exploração mineral, de petróleo, tudo sob o desafio da sustentabilidade, sem destruir os recursos naturais. Para termos sucesso como potência ambiental, só poderemos fazer isso com conhecimento”, disse Raupp.

Ele considerou que o interesse das empresas em investir no navio se justifica pelas possíveis novas descobertas de metais preciosos a serem explorados no leito do oceano, o que poderá ser a nova fronteira econômica do país neste século. “As empresas também reconhecem que sem ciência e tecnologia não têm futuro e, por isso, estão investindo. Várias empresas estão buscando minérios no fundo do mar e o mesmo querem fazer aqui. Temos que ter meios de reconhecer [as potencialidades] para ter capacidade regulatória de como utilizar esses recursos.”

A coordenadora-geral para Mar e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Janice Trotte, ressaltou a parceria inédita para a construção do navio, envolvendo recursos públicos e privados. “O modelo de parceria é totalmente inovador, em que você junta os interesses do governo e da iniciativa privada. É um navio de última geração, está entre os cinco melhores do mundo, confere condições de trabalho à nossa comunidade oceanográfica ainda não experimentadas, em termos de conforto e na capacidade de gerar conhecimento.”

Janice disse que atualmente pesquisadores brasileiros precisam atuar em navios estrangeiros no Atlântico Sul, pela ausência de uma plataforma de pesquisa adequada, o que deverá mudar com a entrada em operação da nova embarcação. Segundo ela, ainda serão necessários novos navios para atender à demanda na região.

Atualmente, o país conta com o Cruzeiro do Sul, vinculado à Marinha, e o Alpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP), como plataformas de grande alcance. A nova embarcação vai permitir que o país faça explorações mais aprofundadas do leito oceânico, em busca de metais e materiais preciosos.

“Nos mantínhamos em um patamar atrás por não dispor de plataforma de infraestrutura embarcada para chegar a esse tipo de exploração. Já temos conhecimento de rochas cobaltíferas e fosforitas e diversos outros recursos minerais muito valorizados no mercado internacional. Temos esta fronteira a desbravar, jamais desenvolvida em nosso país”, disse a coordenadora.

O navio foi solicitado pela Marinha a 22 estaleiros nacionais e estrangeiros. A embarcação tem 78 metros de comprimento, autonomia de 60 dias no mar, acomoda 146 pessoas, sendo 40 a 60 pesquisadores, três laboratórios, robô com capacidade de coletar amostras no fundo marinho, podendo operar a até 5 mil metros de profundidade.

O custo do navio será dividido entre os quatro parceiros: MCTI, R$ 27 milhões, Marinha, R$ 27 milhões, Vale, R$ 38 milhões, e Petrobras, R$ 70 milhões.

22 de out de 2012

Instituto Nacional de Oceanografia

A ata da reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal onde discutiu-se a criação do Instituto Nacional de Oceanografia já está disponível para consulta pública:

http://www19.senado.gov.br/sdleg-getter/public/getDocument?docverid=208f0f7e-6f7c-4881-850e-b5ebbfd5bab9 

19 de out de 2012

Brasil mapeia potencial de seus mares

FONTE: JC e-mail 4606, de 18 de Outubro de 2012

Brasil mapeia potencial de seus mares

Fonte da Imagem: Folha de Sao Paulo

O País começa a dar os primeiros passos para aumentar as áreas marinhas protegidas do seu litoral. Hoje na ordem de 1,56%, essas áreas terão que atingir 10% em 2020, segundo compromisso firmado na Conferência das Partes sobre a Biodiversidade, em 2010, e reforçado neste ano na Rio+20.

Para chegar a essa meta, o governo tenta compatibilizar a promessa com a exploração econômica: exploração de petróleo, criação de portos e terminais, fluxo do transporte e, no futuro, mineração. O projeto reúne o governo, a Petrobras e o GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente). A estatal investirá US$ 70 milhões (cerca de R$ 140 milhões), e o GEF, mais US$ 20 milhões (R$ 40 milhões).

Em um primeiro rascunho do que poderá ocorrer na faixa de 200 milhas a partir da costa - a chamada zona econômica brasileira -, o parque de Abrolhos poderá ter sua área aumentada em até 10 milhões de hectares. Com isso, a área marinha protegida já dobraria para 3%.

Abrolhos já foi palco de divergências dentro do governo por conta dos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP). No primeiro ano do governo Lula (2003), ambientalistas conseguiram fazer com que a ANP retirasse da lista de ofertas do leilão 154 blocos de petróleo marítimos próximos ao parque.

Segundo especialistas, o sinal de alerta agora é ainda mais preocupante, já que a exploração da região do pré-sal, uma área em alto-mar que se estende por 800 quilômetros, do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina, está se intensificando.

Em outro estudo, a Coppe/UFRJ, em parceria com a britânica British Gas, vai mapear o oceano na região da bacia de Santos, onde está a maior parte do pré-sal. O objetivo é registrar o ambiente para poder usar como referência em caso de acidentes, diz o diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, Segen Estefan.

Lixo - Ele observa que 60% dos oceanos são áreas internacionais, sem um dono específico, e nelas são lançados 80% do lixo do planeta. Segundo a Conservação Internacional (CI), ONG criada há 25 anos e que atua em 42 países, inclusive no Brasil, os oceanos geram anualmente US$ 23 trilhões (R$ 46 trilhões) no mundo inteiro, incluindo o fornecimento de proteína, ciclagem de nutrientes e da água e retirada de carbono da atmosfera.

Estefan diz que, pelo Índice Saúde do Oceano, o Brasil recebeu nota 62, enquanto a média do mundo é 60. "Está um pouquinho menos péssimo, mas mesmo assim está ruim." Segundo ele, 80% das espécies marinhas consumidas pelos brasileiros estão ameaçadas de extinção.

400 zonas mortas - A saúde dos oceanos vai mal, com 400 zonas totalmente mortas já identificadas no mundo. Isso prejudica também a vida em terra, já que um bilhão de pessoas depende do mar para comer, diz a CI.

Segundo Roberto Cavalcanti, secretário do Ministério do Meio Ambiente, o teor de oxigênio na atmosfera também é produto basicamente da fotossíntese das algas marinhas. "Se a gente começar a mexer no oceano, é possível que mexa na fotossíntese, tem que ter cuidado", afirma.

Para minimizar esse impacto, além de áreas protegidas, são necessárias soluções criativas para melhorar a relação homem/natureza, como exemplifica o diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, Segen Estefan.

"Fizemos um projeto com a Petrobras que usa dutos reciclados da produção de petróleo no mar para criar habitats marinhos. Isso tem a ver não apenas com as atividades pesqueiras artesanais mas também com uma questão que vamos enfrentar em breve, que é a desativação das estruturas que hoje produzem petróleo."
(Folha de São Paulo)

14 de set de 2012

Videos da Audiência Pública para a criação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas

O Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, participou nesta quinta-feira de Audiência Pública para a criação de um Instituto nacional de Pesquisas oceânicas, na comissão de direitos humanos e legislação participativa do senado federal. Parlamentares, pesquisadores e representantes do governo debateram sobre a necessidade de uma unidade de alcance nacional que possa coletar maiores informações sobre a costa brasileira.




Video da TV Senado


Caso o vídeo acima não apareça, baixe o arquivo aqui:
http://www.senado.gov.br/noticias/tv/videos/cod_midia_194773.flv

Especialistas vão aprofundar discussão sobre ‘Embrapa do mar’


Iara Farias Borges
O formato a ser adotado pelo governo na criação do Instituto Nacional de Pesquisas Oceanográficas (Inpo) precisa ser mais debatido, recomendaram os especialistas que participaram nesta quinta-feira (13) da audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa. Eles concordam com a criação do instituto, mas disseram não haver consenso sobre o melhor modelo de organização para a entidade.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antônio Raupp, ressaltou a importância da participação de órgãos governamentais e das universidades para incentivar a pesquisa marítima no Brasil. Na avaliação do ministro, a estrutura a ser criada tem de contar com o esforço conjunto para sustentar as pesquisas sobre a costa marítima brasileira.
Segundo o ministro, o grande desafio é a instituição de uma política de desenvolvimento sustável para o país, que contemple o crescimento econômico e a conservação ambiental com inclusão social.
Quando sugeriu, em discurso no Plenário, a criação de um órgão federal para coordenar as pesquisas marítimas e as políticas a serem aplicadas ao setor, o senador Pedro Simon (PMDB-RS)recomendou que o instituto oceanográfico da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, sedie o novo órgão federal. Ele ressaltou que a Furg é reconhecida pela excelência das pesquisas oceanográficas e se localiza no centro do Mercado Comum do Sul (Mercosul), próximo a Porto Alegre, Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina) e Santiago (Chile), o que justifica sua escolha.
Já o representante do Ministério da Educação, Antonio Simões Silva, defendeu que o instituto seja instituído nos moldes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em que há centros de pesquisa em todo o país. Para ele, a vinculação a uma universidade federal pode comprometer o aporte de recursos, bem como prejudicar as pesquisas pela centralização física dos estudos.
Antonio Simões disse, porém, que as universidades terão importante participação na formação do quadro de pesquisadores.
Também para o professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), Alexander Turra, a vinculação do Inpo a uma universidade pode dificultar a ampliação da pesquisa oceanográfica no país. Em sua opinião, a estrutura a ser criada deve ter “mais fôlego” do que as universidades federais poderiam proporcionar.
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério de Ciência e Tecnologia, Carlos Afonso Nobre, disse que o modelo de organização ainda será mais discutido, mas garantiu que o instituto, chamado por ele de “Embrapa do mar”, não vai competir com as universidades. O Inpo, ressaltou, será um instrumento de avanço da pesquisa no país e aproveitará a experiência das universidades, como a de Rio Grande.
A audiência pública foi proposta pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que preside a CDH.

Debate sobre criação do instituto Nacional de Oceanografia

Audiência pública para debater a criação do instituto Nacional de Oceanografia, nos moldes dos grandes institutos oceanográficos existentes no mundo.

12 de jul de 2012

Senado marca audiência pública para discutir Instituto Nacional de Oceanografia

FONTE: http://senadorpedrosimon.blogspot.com.br

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH) aprovou hoje a realização de uma audiência pública, em agosto, para discutir a proposta de criação de um Instituto Nacional de Oceanografia. Conforme o senador Pedro Simon (PMDB-RS), o país precisa de um órgão “nos moldes dos grandes institutos oceanográficos existentes no mundo, voltados para o ambiente e a exploração dos mares”.

A reunião sobre a proposta do senador Simon, tema de um discurso no dia 20 junho (leia o texto integral em http://senadorpedrosimon.blogspot.com.br) foi decidida hoje em audiência pública da CDH presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). No encontro, do qual participaram parlamentares, ativistas e representantes do governo, a comissão discutiu, entre outros temas, a defesa do desenvolvimento sustentável e suas implicações. Na opinião de Wendell Estol, diretor-geral do Instituto Sea Shepherd no Brasil, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) “foi um fracasso no que se refere à discussão sobre os oceanos”

7 de jun de 2012

OceanDB v2.0 - Leve o oceano no seu bolso



Acabou de ser lançado o aplicativo gratuito OceanDB v2.0 desenvolvido pela SALT ambiental para smartphones e tablets com sistema operacional Android. Este aplicativo possibilita a visualização de informações ambientais em modo gráfico, apresentando dados ambientais com resolução de grade de 1 e 5 graus. Disponível em português e inglês

Você escolha um ponto no oceano, em qualquer lugar do mundo, e este aplicativo mostrará perfis e diagramas climatológicos (média histórica) dos seguintes parâmetros oceanográficos:

  • Temperatura
  • Salinidade
  • Oxigênio dissolvido
  • Temperatura x Salinidade (Diagrama TS)
  • Densidade
  • Brunt-Väisälä
  • Fosfato
  • Nitrato
  • Silicato
  • Profundidade local
Este aplicativo oferece praticidade e eficiência na geração de gráficos, facilitando a compreensão e interpretação dos dados. As aplicações deste splicativo são bastante variadas, como a aquisição de informações ambientais para o planejamento de atividades de campo, laboratório, e monitoração e qualificação de dados.

Quem vai gostar deste aplicativo? Profissionais do mercado e pesquisadores que atuam nas diversas áreas do conhecimento que utilizem informações sobre o ambiente marinho, ou qualquer pessoa curiosa curiosa sobre os oceanos!

Na Próxima versão serão disponibilizados os parâmetros:
  • Utilização aparente de Oxigênio
  • Percentual de saturação de Oxigênio
  • Mapas horizontais
  • Seções verticais
Baixe e comece a usar o aplicativo hoje mesmo! Clique neste link:
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3 de jun de 2012

Atum transporta material radioativo de Fukushima do Japão à Califórnia


Pesquisadores americanos observaram a bioacumulação e o transporte de material radioativo através do Atum do Pacífico através dos oceanos do Japão para a Califórnia nos Estados Unidos. A radioatividade encontrada nos peixes é bem abaixo dos níveis que poderiam causar preocupação para a saúde humana, mas os resultados mostram que consequências da crise na usina nuclear de Fukushima Daiichi no ano passado fornece uma oportunidade incomum para rastrear os animais, o ar ea água do Oceano Pacífico.

O atum do Pacifico ( Thunnus orientalis ) desovam em águas japonesas antes de nadar até a costa californiana. Os pesquisadores que testaram 15 peixes capturados após o desastre de Março de 2011 descobriram que todos os traços constantes de césio-134, que é solúvel em água e se originou de Fukushima. Os peixes que viajaram para a Califórnia antes de 2011 não levavam o isótopo. Os resultados foram publicados esta semana no Proceedings of the National Academy of Sciences.

O acidente nuclear de Fukushima tem proporcionado oportunidades de estudar a migração de peixes e circulação atmosférica. Os pesquisadores compararam taxas de césio-134 e o isótopo mais comum de césio-137 e estimaram que o atum levou cerca de quatro meses para viajar de águas japonesas até serem capturados na Califórnia. O cálculo leva em consideração o crescimento do peixe, a radiação normal de césio nos oceanos, e a meia-vida do césio-134 que é de apenas dois anos.

O ciclo migratório do atum é bastante conhecido, e os resultados deste estudo fornecem uma nova idéia para estudar os padrões de migração de outros animais do Pacífico, tais como baleias e aves marinhas.

Leia o artigo AQUI

31 de mai de 2012

8 de Junho - Dia dos Oceanos


No Dia 8 de Junho, pessoas ao redor do planeta celebram e honram os oceanos, pelo que eles nos fornecem e pelo que eles representam para os seres humanos. Faça parte desta celebração mundial!

O Dia Mundial dos Oceanos é organizado pelo The Ocean Project e a The World Ocean Network deste 2002.

Confira a página do evento AQUI: http://worldoceansday.org

27 de mai de 2012

Nações Unidas lança livro on-line sobre os mares

FONTE: JC e-mail 4503, de 23 de Maio de 2012

Nações Unidas lança livro on-line sobre os mares e Rio+20 promoverá, no dia 17 de junho, ciclo de debates sobre biodiversidade.

Para marcar o Dia Internacional da Biodiversidade, nesta terça-feira (22), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas lançou on-line o livro "Um oceano: muitas palavras, muita vida". A publicação destaca que os mares cobrem 71% da superfície. Cerca de 40% da população mundial vivem a cem quilômetros da costa. A estimativa é que 250 mil espécies marinhas sejam conhecidas pelo homem, mas ainda é necessário muito esforço em pesquisas para cobrir melhor a imensa biodiversidade submersa.

O livro traz dados e estimativas indicando que toxinas produzidas por certas espécies marinhas podem auxiliar na produção de remédios, que devem movimentar mais de US$ 5 trilhões. Já os ecossistemas costeiros prestam serviços ambientais, como o turismo e a proteção de linha de costa contra tempestades, avaliados em cerca de US$ 26 bilhões.

O prefácio, assinado pelo brasileiro Braulio Ferreira de Souza Dias, secretário-executivo da CBD, ressalta 15% da proteína animal consumidas são obtidas dos peixes. E afirma que a proteção dos ecossistemas marinhos é crucial para o bem-estar humano.

O livro está disponível no link: http://www.cbd.int/idb/doc/2012/booklet/idb-2012-booklet-en.pdf

Os oceanos também conquistaram grande espaço na Rio+20. No dia 17 de junho, está previsto ciclo de debates sobre biodiversidade na Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, que abordará a necessidade de criar mecanismos de proteção para os mares.

"São águas que abrigam os maiores animais que já viveram na terra e também bilhões e bilhões de animais minúsculos", diz o coordenador da Gerência de Biodiversidade Aquática e Recursos Pesqueiros da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Gallucci, em nota divulgada pelo Ministério. [O Globo]

22 de mai de 2012

31st International Conference on Ocean, Offshore and Arctic Engineering (OMAE 2012)


The 31st International Conference on Ocean, Offshore and Arctic Engineering (OMAE 2012) will be held in Rio de Janeiro, Brazil. Join your colleagues from industry, academia and government from July 1-6, 2012.

OMAE 2012 is the ideal forum for researchers, engineers, managers, technicians and students from the scientific and industrial communities from around the world to meet and present advances in technology and its scientific support; to exchange ideas and experiences whilst promoting technological progress and its application in industry; and to promote international cooperation in ocean, offshore and arctic engineering. Following on the tradition of excellence of previous OMAE conferences, more than 800 technical papers are planned for presentation.

Technical Program
Our program will follow the tradition of excellence standard in all previous OMAE conferences. Your host COPPE/UFRJ is pleased to announce two special events that will take place during OMAE 2012. The following 11 standard symposia plus 2 special symposia are planned:

SYMP 1 Offshore Technology
SYMP 2 Structures, Safety and Reliability
SYMP 3 Materials Technology
SYMP 4 Pipeline and Riser Technology
SYMP 5 Ocean Space Utilization
SYMP 6 Ocean Engineering
SYMP 7 Polar and Arctic Sciences and Technology
SYMP 8 CFD and VIV
SYMP 9 Ocean Renewable Energy
SYMP 10 Offshore Geotechnics
SYMP 11 Petroleum Technology Symposium
SYMP 12 Ronald W. Yeung Honoring Symposium on Offshore and Ship Hydrodynamics
SYMP 13 Workshop on Pre-Salt Technology: Challenges and Opportunities

More information in the Conference website:
http://www.asmeconferences.org/omae2012/

19 de mai de 2012

A saga do Alpha Crucis

Fonte: Revista FAPESP por Fabricio Marques

Batizado de Alpha Crucis, nome da estrela que representa São Paulo na bandeira do Brasil, o navio iniciou então sua viagem inaugural até o porto de Santos com chegada prevista para meados de maio. A primeira singradura ganhou nome, InterOceanos, e um pôster comemorativo. O navio é esperado com ansiedade por professores e alunos do Instituto Oceanográfico da USP e de outras instituições paulistas porque propiciará um aumento de qualidade nas suas pesquisas. Com 64 metros de comprimento por 11 metros de largura, pode permanecer em alto-mar, sem reabastecer, por até 40 dias. A autonomia permitirá viagens transoceânicas, o que é um salto em relação a seu antecessor, o navio Professor W. Besnard, cuja autonomia era de 15 dias e, por isso, não podia distanciar-se muito da costa. “A aquisição vai tornar a oceanografia brasileira mais competitiva e permitir que trabalhemos em parceria com países que já realizam pesquisas em alto-mar no Atlântico Sul”, diz Frederico Brandini, professor do Instituto Oceanográfico. “O Atlântico Sul é um dos oceanos menos conhecidos do mundo”, afirma. O Alpha Crucis pode levar 40 pessoas a bordo, sendo 25 pesquisadores e 15 tripulantes, 10 a mais do que o antecessor. “Isso permitirá que o navio leve equipes maiores, com especialistas de várias disciplinas. Os estudos sobre o oceano são cada vez mais multidisciplinares”, diz Ilson Silveira, professor do Instituto Oceanográfico – e um dos pesquisadores da instituição que mais utilizaram o Professor W. Besnard.

Dotado de dois motores e um sistema que permite mantê-lo parado em alto-mar, o Alpha Crucis também propiciará estudos mais acurados sobre correntes marinhas que o Professor W. Besnard, que tem apenas um motor e sofria deslocamentos quando parava para executar uma estação oceanográfica. “Tendo um navio com concepção moderna e equipamentos de última geração, o aumento da qualidade das informações coletadas e das pesquisas será notável”, diz Luiz Nonnato, engenheiro do laboratório de instrumentação do Instituto Oceanográfico e responsável pelo desenho dos novos equipamentos da embarcação. Entre eles, destaca-se, por exemplo, uma ecossonda multifeixe, que permite obter imagens do fundo do oceano para levantamento de relevo. “Nunca tivemos um equipamento desse tipo e era um desejo antigo”, diz Nonnato. Dois sistemas acústicos, próprios para levantamento de correntes marinhas, também estão instalados, assim como uma estação meteorológica bem equipada. Uma sala de computadores integra os dados de todos os equipamentos, permitindo que os pesquisadores utilizem os dados em tempo real.

Origem das Imagens: © LUIZ NONNATO e CHICO VICENTINI


Pronto para partir em Seattle: financiamento da FAPESP e da USP



A sala de controle do Alpha Crucis antes da reforma...


... e depois de ser reequipada


Computadores vão integrar os dados coletados pelos equipamentos científicos

Leia a Reportagem Completa AQUI:
http://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2012/05/Pesquisa_195-13.pdf

13 de mai de 2012

Brasil estuda criar instituto nacional de oceanografia

FONTE: Folha de São Paulo

O governo está estudando criar um instituto ou centro nacional de oceanografia para coletar informações sobre a costa brasileira. A informação é do climatologista Carlos Nobre, do MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação).

"Estamos pensando no melhor formato, se será um centro ou instituto nacional temático nos moldes dos INCTs [Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia]. Ainda não sabemos como será, mas essa é uma das prioridades do governo", disse Nobre nesta terça-feira durante a reunião magna da ABC (Academia Brasileira de Ciências), no Rio de Janeiro.

A novidade veio como resposta ao físico e oceanógrafo da USP Edmo Campos, que falou sobre a necessidade de pesquisas nacionais oceanográficas no Brasil.

"Os engenheiros que estão projetando o pré-sal acham que o oceano é uma piscina sem movimento, que basta colocar uns tubos e extrairemos petróleo de camadas profundas. Mas não é assim", disse Campos.

De acordo com o especialista, que é um dos 25 cientistas brasileiros membros do IPCC, o painel da ONU sobre o clima, faltam informações sobre o movimento do oceano na costa brasileira e sobre os impactos das mudanças climáticas nessa dinâmica. "Ter um grande instituto é a única forma de fazer pesquisa oceanográfica em escala nacional."

"Sabemos que o Atlântico Sul está sofrendo alterações que podem se propagar aos demais oceanos. Mas não temos trabalhos de observação suficientes para compreender esse fenômeno", disse Campos.

Já para a presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), a biomédica Helena Nader, a Marinha deve investir em pesquisas nacionais sobre o mar.

A SBPC e a ABC apoiam a proposta relatada pelo deputado Fernando Jordão (PMDB-RJ) no Projeto de Lei 8.051/2010, que divide os royalties dos contratos de concessão do pré-sal entre o MCTI e a Marinha.

NAVIO

Edmo Campos, da USP, falou ainda sobre o Alpha Crucis, navio oceanográfico que deve chegar ao porto de Santos, em São Paulo, no próximo dia 10. O navio foi comprado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) por US$ 11 milhões e tem capacidade para 20 pessoas.

Esse será o único navio nacional para pesquisas oceanográficas disponível no país. O anterior, batizado de professor Wladimir Besnard, sofreu um incêndio e foi inutilizado em 2008. "Estamos todos ansiosos pela chegada do Alpha Crucis e pelo início das pesquisas", disse.

3 de mai de 2012

Primeiro Fórum Regional do Mar


OBJETIVO GERAL
Integrar o público científico e acadêmico, as organizações civis, governamentais e privadas, das áreas de Saúde, Meio Ambiente e Turismo, na Gestão dos Ambientes Costeiros, salientando a inter-relação dos temas no desenvolvimento socioeconômico e na qualidade de vida.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Promover uma visão inter-setorial e multidisciplinar dos ambientes costeiros visando o desenvolvimento sustentável associado ao desenvolvimento socioeconômico.
Compreender a biodiversidade e os bens naturais como elementos vitais na perspectiva do desenvolvimento turístico e na qualidade de vida.
Estimular a recolha, gestão e partilha de informações referentes aos ambientes costeiros, promovendo intercâmbios sistemáticos entre as áreas de Saúde, Meio Ambiente e Turismo.

JUSTIFICATIVA
A falta de integração entre os setores ambiental, turístico e de saúde está na origem de grande parte dos problemas que afligem a zona costeira e somente um gestão compartilhada destes entes é que poderá levar ao desenvolvimento regional e à qualidade de vida.

PÚBLICO ALVO
O Fórum Regional do Mar será dirigido aos especialistas e acadêmicos das áreas de Turismo, Saúde/Sanitária e Meio Ambiente, aos conselhos respectivos, aos sindicatos e institutos de pesca, aos Gestores Públicos, aos empresários dos ramos de Turismo e Hotelaria, aos praticantes de esportes aquáticos – Surf e outros, as entidades não governamentais ligadas as temáticas abordadas e as comunidades habitantes e veranistas dos ambientes costeiros do Brasil , Uruguai e Argentina, em particular dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

LOCAL
Centro de Convenções da Nova Ulbra Torres.
Especialmente projetado para receber convenções, congressos, palestras, formaturas e apresentações artísticas, o Centro de Convenções da ULBRA Torres possui auditório com capacidade para 906 pessoas, acomodadas em confortáveis poltronas, além de 02 camarotes.

Valores de inscrição
Estudantes Graduados, Profissionais e público em geral
Inscrições antecipadas de 20/01 a 05/05 : R$ 40,00
de 06/05 a 29/05 : R$ 60,00
Faça sua Inscrição neste endereço:
http://portal.ulbratorres.com.br/forumdomar/

CONTATO
Fone +55 -51 -36641411 Ramal 246
email forumdomar@torres.rs.gov.br
Av. Bejamin Constant 154 2° piso - Centro Torres/RS
Cep 95560-000

30 de abr de 2012

CONFERÊNCIA USP SOBRE O MAR


[FONTE Agência FAPESP]
Com o objetivo de promover uma reflexão sobre os temas “Oceano e Clima”, “Biodiversidade” e “Exploração em Águas Profundas”, incorporar novas áreas de conhecimento e ampliar a interatividade interinstitucional, o Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) realiza entre 16 e 18 de maio a Conferência USP sobre o Mar.

O evento será realizado no Anfiteatro da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), na Cidade Universitária, entre 9h30 e 17h.

Contará com a participação de palestrantes internacionais, como Antonio Busalacchi e Thomas Malone, ambos da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, Sergio Navarrete, da Pontifícia Universidade Católica de Chile, e Juan Luis Suárez de Vivero, da Universidade de Sevilha.

A participação na conferência é gratuita e as inscrições podem ser feitas pelo site:
http://www.inovacao.usp.br/uspconferencias/mar/index.html

Palestrantes

Tema: Oceano e Clima / Ocean and Climate
  • Antonio Busalacchi - University of Maryland
  • William Curry - Woods Hole Oceanographic Institution
  • Paul Falkowski - Rutgers University
  • Joaquim Goes - Lamont-Doherty Earth Observatory
Tema: Biodiversidade Marinha / Marine Biodiversity
  • Farooq Azam - Scripps Institution of Oceanography
  • Thomas Malone - University of Maryland
  • Sergio Navarrete - Pontificia Universidad Católica de Chile
  • Jonathan Zehr - University of California
Tema: Exploração em Águas Profundas / Deep Ocean Exploration
  • Mark Benfield - Louisiana State University
  • Michael Vecchione - National Systematics Laboratory (NOAA)
  • Juan Luis Suárez de Vivero - Universidad de Sevilla

20 de abr de 2012

Novo navio oceanográfico brasileiro está a caminho

FONTE: Agência FAPESP, 12/04/2012. Por Fábio de Castro


Alpha Crucis, o novo navio oceanográfico brasileiro, está a caminho do país. Depois de passar por reformas nos últimos 10 meses, em Seattle (Estados Unidos), o navio zarpou no dia 30 de março com destino ao porto de Santos (SP). A data prevista de chegada é 10 de maio.

O navio foi adquirido pela FAPESP para a Universidade de São Paulo (USP), que também ficará responsável pela manutenção e gestão da embarcação. A compra faz parte de um projeto de incremento da capacidade de pesquisa submetido à FAPESP pelo Instituto Oceanográfico (IO) da USP, no âmbito do Programa Equipamentos Multiusuários (EMU).

De acordo com o diretor do IO-USP, Michel Michaelovitch Mahiques, o navio deverá levar a capacidade de pesquisas oceanográficas a um patamar inédito no Brasil. O país não tinha um navio oceanográfico civil em operação desde 2008, quando o navio Professor W. Besnard, utilizado desde 1967, sofreu um incêndio e ficou sem condições operacionais de pesquisa.

“O Alpha Crucis proporcionará um imenso salto qualitativo na pesquisa oceanográfica. Uma das razões para isso é que ele tem capacidade para navegar por 40 dias, enquanto o Professor Besnard tinha autonomia limitada a 15 dias. Isso significa que o novo navio poderá fazer estudos em oceano aberto, ampliando nossos limites geográficos de pesquisa”, disse Mahiques à Agência FAPESP.

Além da maior autonomia, o Alpha Crucis dispõe de equipamentos que não estavam disponíveis no Professor Besnard, o que amplia a gama de possibilidades de pesquisa. “Alguns desses equipamentos viabilizarão estudos de cardumes, de mapeamento de relevo de fundo, de medição de correntes, por exemplo, que antes seriam impossíveis. O potencial de pesquisa é muito maior”, disse Mahiques.

Com o novo navio também será possível operar um veículo submersível operado remotamente (ROV, na sigla em inglês) de pequenas dimensões. O Alpha Crucis também ampliará a capacidade de pesquisa para além de estudos estritamente oceanográficos.

Projetos ligados ao Programa BIOTA-FAPESP e ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) serão especialmente favorecidos. “No Professor Besnard era muito difícil realizar estudos sobre diversidade de organismos de água profunda, por exemplo”, disse Mahiques.

O Alpha Crucis, que antes (com o nome Moana Wave) pertencia à Universidade do Havaí, tem 64 metros de comprimento por 11 metros de largura. O navio tem capacidade para levar 20 pessoas e deslocar 972 toneladas. O custo total da embarcação, incluindo a reforma, foi de US$ 11 milhões.

Nos últimos 10 meses, várias reformas e modificações foram realizadas na embarcação, no estaleiro onde se encontrava em Seattle. “A reforma teve duas vertentes. Uma delas correspondeu às adaptações necessárias para que o navio, fabricado em 1973, atendesse à legislação brasileira atual referente à segurança de embarcações. A segunda vertente foi voltada para modernizar o navio, atendendo às demandas da pesquisa científica”, disse.

A adequação à legislação exigiu a substituição de diversas paredes e a troca do material do forro e do piso. Toda a mobília de madeira foi substituída por metal e foram também instalados novos equipamentos de segurança. A modernização incluiu a reforma de todos os laboratórios a bordo, além da instalação de novos elementos na ponte de comando, novos guinchos e novos equipamentos científicos.

“O Alpha Crucis está concretamente pronto para operar. Mas, quando atracar em Santos, ainda será preciso realizar o processo de nacionalização do navio junto à Receita Federal. Em seguida, será realizado o trâmite burocrático de transferência da propriedade da FAPESP para a USP. A partir de julho, o navio deverá ter condições para operar de fato”, explicou Mahiques.

Posicionamento dinâmico

Foram instalados no navio perfiladores acústicos de corrente, sistemas de mapeamento de fundo – um deles conhecido como ecossonda multifeixe –, sistemas de mapeamento de subsuperfície, que permitem estudar as camadas abaixo do fundo do mar, e sistemas acústicos de mensuração de cardumes.

“Um dos acréscimos mais importantes foi a instalação de um sistema de posicionamento dinâmico. Embora não seja um equipamento de pesquisa, é um instrumento de navegação que dará mais qualidade aos dados”, disse Mahiques.

O sistema de posicionamento dinâmico – que inclui sensores aliados a hélices na proa do navio e um sistema de lemes independente – permite que o navio corrija continuamente, de forma automática, sua posição no mesmo ponto do oceano.

“Quando começávamos uma estação oceanográfica com o Professor Besnard, o vento e a corrente deslocavam o navio continuamente. Quando era preciso ficar muito tempo em uma estação, isso exigia manobras para voltar ao ponto o tempo todo. Com o posicionamento dinâmico, o navio fica parado automaticamente, garantindo que não haja deriva, tornando os dados mais fidedignos”, explicou Mahiques.

O uso do navio não ficará restrito aos pesquisadores do IO-USP, mas será compartilhado com projetos de pesquisa de outras unidades da USP e de outras instituições.

“Por determinação da FAPESP, criamos um comitê gestor que está recebendo demandas de utilização. Além de organizar o calendário do navio, o comitê é responsável por administrar a embarcação, apontando exigências e necessidades de otimização do tempo de uso”, disse Mahiques.

Os custos de manutenção e operação do navio serão cobertos pela USP. “É difícil prever os valores, porque um dos principais componentes do custo de operação é o óleo combustível, mas muitos projetos incluem o fornecimento do óleo por outros parceiros. Entretanto, há itens de custo fixo importantes. O principal é o seguro, que nos custou US$ 400 mil por um ano”, disse.

A tripulação do navio, remunerada pela USP, é em grande parte a mesma que trabalhava no Professor Besnard. “A maior parte do pessoal já é bastante experimentado em trabalho oceanográfico”, disse Mahiques.

Professor Besnard

O destino do Professor Besnard é motivo de grande preocupação, já que a USP não tem condições para manter dois navios. “Em conversas informais, a prefeitura de Santos manifestou o interesse de receber o navio em doação para transformá-lo em um museu marítimo. Mas, infelizmente, não houve mais nenhuma manifestação formal, com um pedido de doação”, disse Mahiques.

A situação é preocupante, porque atualmente o Professor Besnard está atracado em frente ao Armazém 8, no porto de Santos, exatamente no local onde ficará o Alpha Crucis. O IO-USP está pleiteando a cessão do Armazém 8 para a criação de uma base oceanográfica. Se o caso não for solucionado rapidamente, o Professor Besnard precisará ser afundado.

“Sem um pedido formal de doação do Professor Besnard com um fim específico, não teremos alternativa além do afundamento controlado do navio, para transformá-lo em um recife artificial com fins de pesquisa. Mas essa seria uma saída muito dolorosa para todos nós, porque o Professor Besnard é o primeiro navio oceanográfico brasileiro e tem um valor histórico inestimável”, afirmou Mahiques.

Além do Alpha Crucis, o incremento da capacidade de pesquisa oceanográfica no IO-USP inclui o Alpha Delfini, o primeiro barco oceanográfico inteiramente construído no Brasil. O barco teve sua construção iniciada em agosto de 2011, no estaleiro Inace, em Fortaleza (CE), e também foi adquirido com apoio da FAPESP por meio do Programa Equipamentos Multiusuários.

“O Alpha Delfini terá 25 metros de comprimento e autonomia de 10 a 15 dias. A construção está avançada e o barco deverá ter condições de operação no segundo semestre de 2012”, disse Mahiques.

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Partida


Teste de mar


Teste de mar


Incorporação




17 de abr de 2012

Workshop reúne experiências de gerenciamento de dados marinhos


Cientistas de diversos países se reúnem na FAPESP em encontro para criar diretrizes que possam melhorar a coleta e o compartilhamento de informações sobre a costa e o mar do Brasil (BIOTA-FAPESP)
FONTE: Revista FAPESP, 13/04/2012 Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Embora o Brasil seja um dos países com maior área litorânea do mundo, o conhecimento sobre os biomas costeiros e marinhos ainda é incipiente no país. Para tentar inverter a situação, cientistas brasileiros se reuniram com especialistas de diversos países no workshop Marine Data Management, realizado na sede da FAPESP nos dias 11 e 12 de abril.

Como melhorar e orientar a coleta de dados nessa área e como articular as informações já existentes foi a linha condutora do evento. “A coleta de dados marinhos, quando comparada à feita no ambiente terrestre, é muito mais cara e logisticamente difícil. Por isso, é importante tirar o maior proveito possível dos recursos investidos, o que envolve ações de gerenciamento de dados”, explicou o geógrafo Luis Conti, membro do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade Marinha (NP-BioMar) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos organizadores do evento.

Segundo Conti, a pressão sobre a costa e o mar tende a aumentar muito nos próximos anos, pois ao crescimento econômico do Brasil estão atrelados investimentos na construção de portos, na exploração de petróleo e outras fontes de energia, na construção de oleodutos e no transporte marítimo. “É preciso conhecer melhor esse ambiente e saber quais são as áreas mais vulneráveis à ação humana para que seja possível planejar ações de conservação”, disse.

Falta de conhecimento, no caso brasileiro, não significa falta de dados. “Temos bons trabalhos na área de identificação de espécies e taxonomia. Mas não adianta saber toda a linha evolutiva de um bicho ou de uma planta e não conhecer sua relação com o hábitat”, disse Conti.

O maior problema é o fato de os dados existentes estarem pulverizados e muito pouco acessíveis ao público em geral e mesmo à comunidade científica.

“Há, por exemplo, um mapa de topografia em uma gaveta do Instituto Oceanográfico. Os dados de correntes marinhas estão com a Marinha. As informações sobre a biologia estão em um catálogo em algum instituto de biociências. Está tudo disperso. Ninguém ainda conseguiu reunir todas essas informações de modo que se possa ter uma noção do conjunto”, afirmou.

O workshop foi importante para mostrar aos participantes como outros países têm trabalhado para melhorar a coleta de dados marinhos e para criar sistemas de informação e bancos de dados integrados.

O representante da Agência Ambiental Europeia, Andrus Meiner, falou sobre como foi importante criar marcos legais para regulamentar a coleta e o compartilhamento de informações que ajudam a orientar o uso do ambiente marinho pelos diversos países do bloco.

Meiner mostrou também algumas iniciativas que estão sendo implementadas, como o European Marine Observation and Data Network (EMODnet) – um portal com informações sobre o terreno de diversas regiões marinhas europeias – e o Eye On Earth – uma rede on-line de mapeamento e compartilhamento de informações ambientais.

Simon Claus, do Instituto Marinho de Flanders, na Bélgica, contou como foi complexa a padronização dos nomes das espécies marinhas durante a criação do World Register of Marine Species (WoRMS) – um banco de dados que pretende reunir uma lista completa de organismos marinhos.

Claus mostrou também como é o processo de classificação e registro dos dados recebidos pelo instituto antes de sua inclusão em um banco disponível para consulta.

Rikk Kvitek, da California State University, nos Estados Unidos, um dos maiores especialistas mundiais em batimetria – medição da profundidade de oceanos, lagos e rios –, falou sobre sua experiência em mapear a região costeira da Califórnia.

Segundo Conti, essa é uma das áreas em que o Brasil mais precisa investir na coleta de dados. “Eles já cometeram erros ao mapear o terreno da Califórnia, podemos aprender com eles”, disse.

Após o término das exposições e dos debates abertos ao público, na sexta-feira (13/04) ocorrerá uma rodada de discussões entre os palestrantes estrangeiros e cientistas brasileiros, com a proposta de definir diretrizes para orientar futuras pesquisas sobre o ambiente marinho no Estado de São Paulo.

“Pretendemos definir as prioridades na coleta de dados para os próximos anos e como padronizar o registro de informações para que, no futuro, elas possam ser integradas não apenas com a de outros grupos de pesquisa paulistas, mas também de outros Estados”, afirmou Conti.

29 de fev de 2012

New Global Partnership to Bring Powerful Forces Together for Healthy Oceans


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The World Bank issued an SOS Friday on the state of the world's oceans and announced the formation of a powerful coalition to confront the ocean's growing number of overexploited fisheries, more than 400 "dead zones" where most marine life cannot survive, and the loss of important ecosystems to coastal development.

In a speech – "A New S-O-S: Save Our Seas"-- at the World Oceans Summit in Singapore, World Bank President Robert Zoellick said the new Global Partnership for Oceans would tap the experience and knowledge of multiple organizations, and leverage financing, projects, and programs in developing countries to better manage the ocean and its resources.

"The world's oceans are in danger, and the enormity of the challenge is bigger than one country or organization," said Robert Zoellick, president of the World Bank Group, one of the new coalition's partners.

"We need coordinated global action to restore our oceans to health. Together we'll build on the excellent work already being done to address the threats to oceans, identify workable solutions, and scale them up."

Zoellick said the partnership's goals would likely include: rebuilding at least half of the world's threatened fish stocks, more than doubling marine protected areas from 2% of the ocean's surface to at least 5%, increasing sustainable aquaculture to provide two-thirds of the world's fish (aquaculture today provides about 50% of seafood consumed by humans), and properly valuing ocean and coastal resources to enable better decision-making.

LEIA A NOTICIA COMPLETA AQUI

Leia Também

New Global Partnership to Bring Powerful Forces Together for Healthy Oceans

World Bank Group President Robert B. Zoellick's Q&A Session at The Economist World Oceans Summit

Links

http://www.globalpartnershipforoceans.org

13 de fev de 2012

Nível do mar subiu 12 milímetros em 8 anos

Por ano, Terra perdeu 536 bi de t de gelo; nível do mar aumentou
FONTE: Folha de São Paulo

FONTE DA IMAGEM: Folha de São Paulo
As geleiras e áreas cobertas por gelo na Terra perderam 536 bilhões de toneladas por ano entre 2003 e 2010, o que resultou na elevação de 12 milímetros no nível médio do mar nesse período, segundo aponta um estudo feito por cientistas da Universidade do Colorado, nos EUA, e publicado ontem na edição on-line da revista “Nature”.

O volume derretido por ano equivale a aproximadamente o dobro da quantidade de água que existe no rio Amazonas e corresponde a cerca de 0,002% de toda a quantidade de gelo que se estima existir no mundo.

O estudo é o primeiro a analisar com precisão o volume global de derretimento de todas as massas geladas do planeta com área coberta por gelo superior a 100 km², incluindo regiões fora da Antártida e da Groenlândia que, por conterem mais de 90% do gelo do mundo, sempre foram privilegiadas.

O novo levantamento inclui locais como topos de cordilheiras, onde constatou-se que o derretimento segue um ritmo menor que o esperado.

O estudo foi feito a partir da análise de dados das sondas gêmeas Grace, da Nasa, que desde 2002 fazem o mapeamento da massa e da gravidade terrestre.

“Esses novos resultados vão nos ajudar a responder questões importantes sobre a elevação do mar e como as regiões geladas estão respondendo ao aquecimento”, disse o físico John Wahr, um dos líderes do estudo.

Para Paolo Alfredini, professor do departamento de engenharia hidráulica e ambiental da USP, a pesquisa traz dados concretos que são coerentes com o monitoramento do nível do mar feito em diversos pontos do Brasil.

Ele chama a atenção, no entanto, para o fato de que o estudo traz valores médios para todo o mundo, enquanto que algumas áreas são mais afetadas que outras pela elevação do mar. É o caso das áreas tropicais, como a costa brasileira.

“Nessas regiões, o aquecimento da água provoca sua dilatação, o que a faz ocupar um volume maior.”

Segundo Alfredini, a extrapolação do resultado para um prazo de cem anos, considerando esses fatores, permite estimar que algumas áreas do país vão ter elevação de até um metro do nível do mar.

Isso significaria, numa praia com declive suave como a da cidade de Santos, um avanço do mar de até cem metros sobre a costa.

“As informações da pesquisa são preocupantes. O aquecimento não é uma questão folclórica e o Brasil está atrasado no despertar para as consequências desse processo, que pode afetar grandes áreas do país e do mundo.” (Fonte: Thiago Fernandes/Folha.com)