29 de out de 2012

Dilma anuncia plano para tornar pesca e aquicultura atividades "centrais" no País

FONTE: Jornal da Ciencia

As atividades ligadas à pesca e à aquicultura serão "centrais" para o País, tanto no âmbito econômico como no social. É o que garantiu a presidente Dilma Rousseff ontem (25), ao anunciar o Plano Safra da Pesca e Aquicultura. A meta é ampliar a produção nacional para dois milhões de toneladas de pescado ao ano até 2014.

"Essa atividade, que era lateral, será central do nosso país", garantiu a presidente. Além de desonerar a cadeia produtiva, o governo pretende, com o plano, investir R$ 4,1 bilhões até 2014 em financiamentos para a produção pesqueira, por meio de diversos programas.

Segundo Dilma, o Brasil sempre teve condições de ter atividades de pesca e aquicultura mais fortes. Agora, acrescentou, é hora de o País transformar seu potencial - o maior do mundo - em atividades sociais e econômicas, além de estimular melhores hábitos alimentares para o brasileiro.

"Vamos fortalecer a atividade pesqueira, transformando-a em instrumento de crescimento econômico do País, aumentando nossos investimentos nesse que é, sem dúvida, junto com a agricultura, um dos grandes setores que caracterizarão o século 21: o fornecimento de proteína, para gerar inclusão social e melhoria da qualidade do trabalho", explicou a presidenta.

Na solenidade de lançamento do plano, Dilma apresentou dados que mostram o potencial do País para as atividades de pesca e aquicultura. "Temos mais de oito mil quilômetros de costa marítima, 13% da reserva mundial de água doce e um mar interno feito de reservatórios e açudes em praticamente todas as nossas bacias hidrográficas. É como se fosse o acesso a um grande mar de água doce", explicou.

A presidente, no entanto, lembrou que a realidade econômica e social da atividade está distante do potencial. "No ranking, ocupamos a 23ª posição na pesca e a 17ª na aquicultura. Esses números dão o tamanho do nosso desafio", argumentou. Com o plano anunciado, o governo pretende tornar o Brasil, até 2020, "um exportador do tamanho do seu potencial", ampliando a renda e o trabalho de milhões de brasileiros.

Para atingir o objetivo, o governo pretende, entre diversas frentes de ação, ajudar os produtores a reduzir o desperdício no manuseio. Só com essa frente, o governo quer aumentar em 40% a renda dos profissionais. A ampliação das ações governamentais abrangerá, também, aprimoramento das técnicas de cultivo e manuseio, modernização de equipamentos, oferta de assistência técnica, investimento em pesquisa e mais estrutura à cadeia produtiva.

Linhas de crédito para pequenos pescadores e aquicultores serão criadas para que os produtores possam investir em novas estruturas, equipamentos e barcos. A previsão é que 330 mil famílias sejam beneficiadas com mais crédito, juros menores e prazos mais longos para o financiamento.

O lançamento do plano contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS) e de representantes do setor. Os presidentes da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores (CNPA), Abraão Lincoln, e da Associação Brasileira de Criadores de Tilápia, Ricardo Neukirchner, elogiaram a iniciativa.

Também participaram do evento os ministros Marcelo Crivella, da Pesca e Aquicultura; Gleisi Hoffmann, da Casa Civil; Alexandre Padilha, da Saúde; Aloizio Mercadante, da Educação; Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; e Ideli Salvatti, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.
(Agência Brasil)

Uma contribuição para as Ciências do Mar, artigo de Carlos Eduardo Rezende

FONTE: Jornal da Ciencia

Carlos Eduardo de Rezende é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, membro do INCT Transferência de Material na Interface Continente-Oceano e coordenador do Regional NODE for Latin America - Land Interaction Coastal Zones (LOICZ). Artigo enviado ao JC Email pelo autor.

Inicialmente, gostaria de deixar claro que reconheço os inúmeros esforços que têm sido empreendidos pelas agências federais e estaduais de fomento a pesquisa e neste sentido o meu texto é uma contribuição discreta para o avanço das Ciências do Mar. Ressalto que os elementos motivadores para redigir esta pequena nota foram estimulados por situações recentes em nível internacional (Simpósio sobre Acidificação dos Oceanos) e nacional (Reunião na Academia Brasileira de Ciências, Edição Especial do Brazilian Journal of Biology e a aquisição de novo Navio Oceanográfico).

Nos Estados Unidos da América, entre 24 e 27 de setembro, aconteceu em Monterey- Califórnia o 3º Simpósio sobre Acidificação dos Oceanos, onde atuei no Comitê Organizador Internacional (http://www.highco2-iii.org/main.cfm?cid=2259) e também apresentei trabalho científico. O primeiro simpósio aconteceu em Paris 2004 com a participação de 125 pesquisadores e 24 palestrantes; em Mônaco 2008 com 227 participantes e 44 palestrantes; em Monterey 2012 tivemos a participação de 542 pesquisadores e 146 palestrantes, sendo 40% composto por pesquisadoras. Os trabalhos enviados foram provenientes de 37 países com destaque para Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália, Japão, Noruega, Suécia, Índia, França e ainda tivemos muitos outros com participação discreta ou muito discreta como foi o caso do nosso país.

Os principais temas apresentados durante o simpósio podem ser resumidos, a saber: respostas de organismos, efeitos nos ecossistemas, química, observações e modelagem, métodos e modelos de estudos, sócio-economia, estudos paleoclimáticos e assuntos gerais. Os três primeiros itens corresponderam aproximadamente a 85% dos tópicos das pesquisas apresentadas durante o simpósio onde o agente de estresse ambiental é o aumento de dióxido de carbono sozinho ou combinado com aumento de temperatura ou limitação de luz ou de elementos essenciais como ferro, fósforo e nitrogênio. Enfim, a ciência nesta área do conhecimento transita em pontos fundamentais da estrutura e funcionamento dos ecossistemas marinhos diante do aumento do dióxido de carbono na atmosfera, seguido da acidificação dos oceanos.

O próximo evento será em 2016 e esperamos que o Brasil exiba uma participação mais expressiva do que a observada até o momento, principalmente porque possuímos uma longa extensão da nossa Plataforma Continental rica em carbonato e importantes ecossistemas (ex.: Abrolhos) que certamente estarão sendo afetados por estas transformações no meio ambiente marinho.

No Brasil, nos dias 2 e 3 de outubro, tivemos a realização de uma reunião científica na Academia Brasileira de Ciências, sob coordenação do professor Luiz Drude de Lacerda, onde foram tratadas as Inter-relações entre o Oceano e o Continente no Cenário de Mudanças Globais. Neste evento, contamos com palestras de vários pesquisadores de reconhecida competência na área de Ciências do Mar provenientes de várias instituições brasileiras. Outro ponto que também considero relevante foi a publicação de uma edição especial da revista Brazilian Journal of Biology sobre Biogeoquímica do Brasil e as Mudanças Climáticas (Artigos Disponíveis em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=1519-698420120004&lng=en&nrm=iso). Aliás, esforços como estes, ou seja, reuniões temáticas seguidas de publicações científicas deveriam ser estimuladas pelas nossas agências de fomento, seja em nível federal ou estadual, pois geram inúmeros desdobramentos em cooperações científicas.

É realmente muito estimulante tratar intensivamente sobre o estado da arte, avanços da ciência nacional, identificar e propor novas abordagens sobre temas na fronteira do conhecimento científico. Vivemos um momento profícuo da Ciência Nacional, e eventos como estes podem gerar o diferencial desejado para o nosso país, ou seja, pesquisas com maior impacto científico e desenvolvimento de marcos conceituais.

O último ponto que destaco, neste momento, foi a divulgação da aquisição de um novo Navio Oceanográfico, totalmente equipado para estudos no mar, financiado pela Finep (http://www.finep.gov.br/imprensa/noticia.asp?cod_noticia=3030) por meio de acordo interministerial. Certamente, este é um desejo de toda comunidade que atua nas Ciências do Mar, e tenho certeza que este é um passo importante, mas precisamos de outras aquisições para atuar ao longo dos 8500 km de costa e 4,4 x 106 km2 que compõem o Mar Territorial Brasileiro, Zona Econômica Exclusive e a Extensão da Plataforma Continental Brasileira.

Em síntese, seria oportuno que tivéssemos programas científicos voltados para a saúde dos oceanos nas áreas de acidificação, zonas mortas, química marinha (ex.: marcadores paleoclimáticos e marcadores moleculares, poluentes orgânicos e inorgânicos) e metagenômica. Assim, aumentaríamos substancialmente as informações precisas sobre o Atlântico Sul e a capacidade brasileira de compreender e prever os impactos das mudanças climáticas nos ciclos biogeoquímicos e biológicos. Estas informações, sobretudo, constituiriam uma base fundamental para a elaboração de mapas temáticos sobre as mudanças químicas, geoquímicas e biogeoquímicas, eutrofização, acidificação e zonas mortas no Atlântico Sul. Isto certamente ampliará a nossa capacidade de gerenciamento dos recursos naturais nas áreas de jurisdição brasileira, principalmente porque precisamos ampliar rapidamente as áreas marinhas protegidas.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

28 de out de 2012

Produção de alimentos Marinhos no Brasil quase Triplica em 10 anos, Aquacultura

Uma análise rápida que fiz com os dados do The Little Green Data Book 2012 (http://data.worldbank.org/products/data-books/little-data-book/little-green-data-book) comparando a produção pesqueira e de aquacultura no Brasil entre 1990 e 2010.

A produção de alimentos marinhos no Brasil quase que triplicou em 10 anos. A Aquacultura é hoje pesponsável por mais de um quarto da produção de alimentos marinhos no Brasil.


24 de out de 2012

Recife inaugura o primeiro museu oceanográfico do Norte e Nordeste

Espaço abrigará 34 mil amostras recolhidas nas últimas seis décadas
Fonte: Bruno Deiro - O Estado de S.Paulo

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) inaugura nesta terça-feira, 23, no Recife, o primeiro museu oceanográfico das Regiões Norte e Nordeste do País, com 34 mil amostras recolhidas nas últimas seis décadas. As pesquisas na região têm sido impulsionadas pela recente exploração de áreas oceânicas mais profundas, que permitiram a descoberta de 40 novas espécies de crustáceos e moluscos nos últimos três anos.

A nova fase é resultado de um trabalho de avaliação de impacto nas áreas de exploração de petróleo no local. Financiado pela Petrobrás, o museu obteve ajuda técnica para analisar ecossistemas a até 900 metros.

"Até 2009, nosso alcance era de, no máximo, 200 metros. Com este trabalho, estamos descobrindo novas espécies que só existem nesta localidade", afirma a pesquisadora Sigrid Leitão, que coordena o projeto.

O processo de identificação dos animais, explica ela, tem sido facilitado com a introdução de dois aparelhos de escâner que mapeiam o material recolhido - o zooscan para as espécies maiores (em geral, medem 0,5 a 1 milímetro) e o flowcan para as mais microscópicas.

Preservação

O museu é apenas o quarto do gênero no País - os outros estão em São Paulo, no Rio e no Rio Grande do Sul. "Nosso acervo reúne material recolhido por várias expedições que passaram por aqui. Temos até mesmo espécies que vieram da Argentina", afirma Sigrid.

Segundo ela, o local vai possibilitar melhores condições de preservação das amostras. "Esse material vinha sendo mal armazenado, ficava em lugares úmidos e estragava com frequência. Agora, ficarão protegidos em armários condicionados", diz a pesquisadora.

23 de out de 2012

Novo navio oceanográfico apoiará pesquisas minerais do Brasil em 2013

A embarcação está sendo produzida em Cingapura e trará informações sobre a geologia do fundo do mar

por Vladimir Platonow/Agência Brasil Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE

Exemplo de navio oceanográfico em Cartagena, Murcia, na Espanha
O Brasil contará, a partir do próximo ano, com um dos mais modernos navios de pesquisas oceanográficas do mundo. Com a embarcação, avaliada em R$ 162 milhões, será possível aumentar o volume de informações sobre recursos minerais e biológicos na chamada Amazônia Azul, como é conhecida a zona econômica exclusiva do mar brasileiro, com 3,6 milhões de quilômetros quadrados. Com isso, o país contará com três navios oceanográficos de grande porte.

O valor do navio, que está sendo construído em Cingapura, foi dividido entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Petrobras, a Marinha e a Vale. O acordo de cooperação foi assinado nessa segunda-feira (22) e contou com a presença do ministro Marco Antonio Raupp.

“É uma plataforma científica e tecnológica importante para fazer levantamento, explorar, ter conhecimento sobre o mar e a geologia do fundo do mar. Exploração mineral, de petróleo, tudo sob o desafio da sustentabilidade, sem destruir os recursos naturais. Para termos sucesso como potência ambiental, só poderemos fazer isso com conhecimento”, disse Raupp.

Ele considerou que o interesse das empresas em investir no navio se justifica pelas possíveis novas descobertas de metais preciosos a serem explorados no leito do oceano, o que poderá ser a nova fronteira econômica do país neste século. “As empresas também reconhecem que sem ciência e tecnologia não têm futuro e, por isso, estão investindo. Várias empresas estão buscando minérios no fundo do mar e o mesmo querem fazer aqui. Temos que ter meios de reconhecer [as potencialidades] para ter capacidade regulatória de como utilizar esses recursos.”

A coordenadora-geral para Mar e Antártica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Janice Trotte, ressaltou a parceria inédita para a construção do navio, envolvendo recursos públicos e privados. “O modelo de parceria é totalmente inovador, em que você junta os interesses do governo e da iniciativa privada. É um navio de última geração, está entre os cinco melhores do mundo, confere condições de trabalho à nossa comunidade oceanográfica ainda não experimentadas, em termos de conforto e na capacidade de gerar conhecimento.”

Janice disse que atualmente pesquisadores brasileiros precisam atuar em navios estrangeiros no Atlântico Sul, pela ausência de uma plataforma de pesquisa adequada, o que deverá mudar com a entrada em operação da nova embarcação. Segundo ela, ainda serão necessários novos navios para atender à demanda na região.

Atualmente, o país conta com o Cruzeiro do Sul, vinculado à Marinha, e o Alpha Crucis, da Universidade de São Paulo (USP), como plataformas de grande alcance. A nova embarcação vai permitir que o país faça explorações mais aprofundadas do leito oceânico, em busca de metais e materiais preciosos.

“Nos mantínhamos em um patamar atrás por não dispor de plataforma de infraestrutura embarcada para chegar a esse tipo de exploração. Já temos conhecimento de rochas cobaltíferas e fosforitas e diversos outros recursos minerais muito valorizados no mercado internacional. Temos esta fronteira a desbravar, jamais desenvolvida em nosso país”, disse a coordenadora.

O navio foi solicitado pela Marinha a 22 estaleiros nacionais e estrangeiros. A embarcação tem 78 metros de comprimento, autonomia de 60 dias no mar, acomoda 146 pessoas, sendo 40 a 60 pesquisadores, três laboratórios, robô com capacidade de coletar amostras no fundo marinho, podendo operar a até 5 mil metros de profundidade.

O custo do navio será dividido entre os quatro parceiros: MCTI, R$ 27 milhões, Marinha, R$ 27 milhões, Vale, R$ 38 milhões, e Petrobras, R$ 70 milhões.

22 de out de 2012

Instituto Nacional de Oceanografia

A ata da reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal onde discutiu-se a criação do Instituto Nacional de Oceanografia já está disponível para consulta pública:

http://www19.senado.gov.br/sdleg-getter/public/getDocument?docverid=208f0f7e-6f7c-4881-850e-b5ebbfd5bab9 

19 de out de 2012

Brasil mapeia potencial de seus mares

FONTE: JC e-mail 4606, de 18 de Outubro de 2012

Brasil mapeia potencial de seus mares

Fonte da Imagem: Folha de Sao Paulo

O País começa a dar os primeiros passos para aumentar as áreas marinhas protegidas do seu litoral. Hoje na ordem de 1,56%, essas áreas terão que atingir 10% em 2020, segundo compromisso firmado na Conferência das Partes sobre a Biodiversidade, em 2010, e reforçado neste ano na Rio+20.

Para chegar a essa meta, o governo tenta compatibilizar a promessa com a exploração econômica: exploração de petróleo, criação de portos e terminais, fluxo do transporte e, no futuro, mineração. O projeto reúne o governo, a Petrobras e o GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente). A estatal investirá US$ 70 milhões (cerca de R$ 140 milhões), e o GEF, mais US$ 20 milhões (R$ 40 milhões).

Em um primeiro rascunho do que poderá ocorrer na faixa de 200 milhas a partir da costa - a chamada zona econômica brasileira -, o parque de Abrolhos poderá ter sua área aumentada em até 10 milhões de hectares. Com isso, a área marinha protegida já dobraria para 3%.

Abrolhos já foi palco de divergências dentro do governo por conta dos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP). No primeiro ano do governo Lula (2003), ambientalistas conseguiram fazer com que a ANP retirasse da lista de ofertas do leilão 154 blocos de petróleo marítimos próximos ao parque.

Segundo especialistas, o sinal de alerta agora é ainda mais preocupante, já que a exploração da região do pré-sal, uma área em alto-mar que se estende por 800 quilômetros, do litoral do Espírito Santo a Santa Catarina, está se intensificando.

Em outro estudo, a Coppe/UFRJ, em parceria com a britânica British Gas, vai mapear o oceano na região da bacia de Santos, onde está a maior parte do pré-sal. O objetivo é registrar o ambiente para poder usar como referência em caso de acidentes, diz o diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, Segen Estefan.

Lixo - Ele observa que 60% dos oceanos são áreas internacionais, sem um dono específico, e nelas são lançados 80% do lixo do planeta. Segundo a Conservação Internacional (CI), ONG criada há 25 anos e que atua em 42 países, inclusive no Brasil, os oceanos geram anualmente US$ 23 trilhões (R$ 46 trilhões) no mundo inteiro, incluindo o fornecimento de proteína, ciclagem de nutrientes e da água e retirada de carbono da atmosfera.

Estefan diz que, pelo Índice Saúde do Oceano, o Brasil recebeu nota 62, enquanto a média do mundo é 60. "Está um pouquinho menos péssimo, mas mesmo assim está ruim." Segundo ele, 80% das espécies marinhas consumidas pelos brasileiros estão ameaçadas de extinção.

400 zonas mortas - A saúde dos oceanos vai mal, com 400 zonas totalmente mortas já identificadas no mundo. Isso prejudica também a vida em terra, já que um bilhão de pessoas depende do mar para comer, diz a CI.

Segundo Roberto Cavalcanti, secretário do Ministério do Meio Ambiente, o teor de oxigênio na atmosfera também é produto basicamente da fotossíntese das algas marinhas. "Se a gente começar a mexer no oceano, é possível que mexa na fotossíntese, tem que ter cuidado", afirma.

Para minimizar esse impacto, além de áreas protegidas, são necessárias soluções criativas para melhorar a relação homem/natureza, como exemplifica o diretor de tecnologia e inovação da Coppe/UFRJ, Segen Estefan.

"Fizemos um projeto com a Petrobras que usa dutos reciclados da produção de petróleo no mar para criar habitats marinhos. Isso tem a ver não apenas com as atividades pesqueiras artesanais mas também com uma questão que vamos enfrentar em breve, que é a desativação das estruturas que hoje produzem petróleo."
(Folha de São Paulo)